UM DOS DISCOS + IMPORTANTES DA HISTÓRIA DO ROCK COMEMORA 50 ANOS - %%%%

UM DOS DISCOS + IMPORTANTES DA HISTÓRIA DO ROCK COMEMORA 50 ANOS

Em 1º junho de 1967, os Beatles lançavam um dos álbuns que seria, até hoje, considerado o mais icônico do rock mundial. Tudo começou numa viagem de volta a...

0f2cdd6924545d6538c92722cbec7431Em 1º junho de 1967, os Beatles lançavam um dos álbuns que seria, até hoje, considerado o mais icônico do rock mundial. Tudo começou numa viagem de volta a Londres, depois de merecidas férias na Índia. John, Paul, George e Ringo precisavam descansar depois de uma quase interminável agenda de shows.

Chegando em Londres, os FabFour se recolheram nos estúdio Abbey Road para gravar o próximo disco e, dessa imersão, surgiu o Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band. As técnicas inovadoras de gravação implementadas no disco incluíam o uso de uma orquestra de quarenta integrantes que tocavam crescendos aleatórios, trazendo um diferencial único para as músicas.

Os responsáveis por isso foram o engenheiro de som Geoff Emerick e o produtor George Martin, que já trabalhavam há muito tempo com os Beatles. As gravações terminaram em 21 de abril de 1967 e Sgt. Peppers foi lançado em 1º de junho, tornando-se o primeiro trabalho do grupo a ser distribuído no mundo todo simultaneamente.

Da minha parte, eu gosto muito do álbum. Acho genial como você consegue ouví-lo, do começo ao fim e como cada música parece um álbum diferente. Mostra toda a versatilidade dos Beatles, e isso é incrível! Mas destacaria “A Day In Life” e “She´s leaving in home”, disparado as minhas preferidas.

“A Day in Life” foi o resultado da junção de duas músicas distintas, uma composta por John Lennon e a outra por Paul McCartney. John tinha o início e o fim da música, mas não tinha o miolo dela. Achava que tinha de por algo entre as partes que tinha composto. Por isso, gravou a primeira parte; marcou o meio dela com uma contagem de 1 (um) a 24 compassos, feita por Mal Evans; e em seguida gravou a parte final. A indicação do final da contagem era marcada, para fins de orientação, pelo toque de um despertador. Paul possuía uma canção que não tinha início e nem fim. Apresentou ao grupo que resolveu inseri-la entre as partes já gravadas por John. O resultado final agradou a John e Paul. Por coincidência, a frase da parte de Paul iniciava com: “Woke up, fell out of bed…” (acordei, caí da cama…), e começava exatamente no ponto antecedido pela marcação do toque do despertador. Por este motivo, o som do despertador foi mantido na gravação, já que Paul, pela canção, estava “despertando”.

“She´s leaving home” surgiu a partir de uma história que Paul viu num artigo de jornal em fevereiro de 67. Era sobre uma jovem londrina de 17 anos que tinha sumido de casa há 1 semana. O pai, “aflito”, afirmava: “Não consigo imaginar porque ela fugiu se tem tudo aqui…” Assim, com somente a matéria do jornal como base, Paul escreveu uma comovente música sobre uma jovem fugindo de uma casa claustrofobicamente respeitável em busca de diversão e romance nos agitados anos 1960. O que ele não sabia na época era o grau de exatidão da especulação que criou, e que tinha conhecido a jovem em questão três anos antes.  Era Melanie Coe, que vivia em Stanford Hill, norte de Londres. As únicas diferenças na história real para a da música era que ela tinha conhecido o homem em um cassino, e não na “loja de carros”, e que ela saiu de casa a tarde, e não “de manhã enquanto os pais estavam dormindo”. Certa vez, Melanie chegou a declarar: “O impressionante sobre a música era quanto ele acertou sobre a minha vida. Ouvi a música quando saiu e pensei que era sobre alguém como eu, mas nunca sonhei que, na verdade, fosse sobre mim”.

Convidei alguns amigos, fãs dos Beatles e de sua obra, para comentar sobre o Sgt. Peppers e o que ele representa:

16665248_1158178620944260_8002617457709390776_o“O Sgt. Pepper’s marcou minha infância e também o planeta terra quando foi lançado em 67.    O disco teve um impacto fantástico na época, pela sua diversidade e criatividade em todas as faixas! Um bom exemplo é “She´s Leaving home”, música gravada basicamente por orquestra e voz. Lembro até hoje da primeira vez que a escutei indo pra escola. Era uma quarta-feira, eu estava um pouco deprimido, devia ter uns 11 anos de idade. Quando a música acabou me emocionei… Fiquei pensando como aquela música me deixou em um estado alterado de consciência e como os Beatles me tocava a ponto de me emocionar indo pra escola em uma quarta de manhã. Nunca vou me esquecer desse dia. Então foi aí que despertou meu interesse pelo disco e comecei a escutar todos os dias indo pra aula.  O disco ganhou muitos prêmios e deu início a uma fase diferente dos Beatles e marcou uma nova fase pra mim também. Hoje, não escuto tanto o Sgt Pepper’s, mas, quando escuto, começo a me lembrar dessas recordações e vem na cabeça “Putz! Como esse disco é foda!!!”
(Juliano Alvarenga – banda Daparte)

10924313_895778567122316_6968287294238698117_o“O álbum é um grande marco na discografia dos Beatles, pois apresenta um alto grau de experimentação temática, musical, estética, poética. A minha música favorita é “A Day in the Life”, uma canção muito representativa da evolução estética dos Beatles. O grupo ganha o mundo com uma música simples, mas em poucos anos evolui para composições mais complexas e “A Day in the Life é uma das mais incríveis. É uma música surpreendente”! Ao ouvi-la pela primeira vez, não se sabe que caminho estético ela vai tomar. Não há aqui uma estrutura básica de introdução-pré-refrão-refrão… Uma mostra do diálogo que os Beatles fizeram com a música erudita contemporânea”.
(Cínthya Oliveira – jornalista – repórter do Hoje em Dia e autora do blog Um Cappuccino)

14682048_10155368637210299_5205330334968260092_o“Sgt. Peppers é, talvez, um dos poucos discos que me lembro como se fosse ontem da  primeira vez que o escutei e da sensação daquele dia! Era outono no Canadá, em 2005, quando eu e um amigo conversávamos sobre os Beatles, banda que, na época, não estava nas minha playlist. Talvez tinha lá Ob-La-Di, Ob-La-Da, She Loves You e Come Together e era só! Neil, meu amigo, sugeriu: “Cara, você já escutou Sgt. Peppers?” e ai fomos até a sala de “controle” do pai dele e, pela segunda vez na vida, dei de cara com uma vitrola que finalmente funcionava e não era apenas objeto de decoração de casa. Ele veio com aquele LP meio desgastado na borda e já avisou: “Cara, acho que A Day in the Life tá pulando de tanto que meu pai escutou!” OK, coloca issaê porque tô curioso pra ver porque esse é um dos melhores discos de todos os tempos. Lembro que me senti numa plateia de um show excêntrico, com Paul dando a dica de que, o que estava por vir, mudaria minha visão sobre música, composição e sobre a vida, apesar de que naquele momento eu não percebi isso de imediato. Era como se eu estivesse dentro de um espetáculo circense em que, a cada música, um novo cenário com diferentes personagens, era montado e eu ali de boca aberta com os malabarismos nos arranjos daqueles quatro garotos até então “desconhecidos” pra mim. Lembro de ter ido ao céu com Lucy e voltado para “arrumar os buracos” com meus amigos em uma casa de campo em algum lugar na Inglaterra. Lembro do frio lá fora e do calor que She’s Leaving Home trouxe, parecia que tomava um chá com Sir Paul enquanto ele me contava sobre seu coração partido. E para me lembrar que aquilo ali era um espetáculo, e que talvez eu estava num sonho, Mr. Kite veio para desafiar o mundo com suas acrobacias e John com sua imaginação açucarada, para desafiar nossas mentes. E, quando pensei que estava começando a compreender aqueles quatro caras de Liverpool, George me leva até a India e me mostra que rock pode ser muita coisa além de tempos 4×4, guitarras, baixo e bateria. E finalmente A Day In The Life! Por problemas técnicos não consegui escutar a música até o fim, mas compreendi e desculpei o pai do Neil por aquela “judiada” na bolacha. Para quem estava acostumado com músicas com um formato padrão: verso-ponte-refrão foi difícil digerir de primeira aquela estrutura, mas ao mesmo tempo era instigante, sensual, melancólica, alegre, aventureira, épica! Que arranjo para orquestra Sr. Martin! Que história mestre John! Que música! Que disco! Que banda! Obrigado aos envolvidos por despertarem em mim sentimentos que só são possíveis através da música e que são, por essas descobertas, por esses caminhos ainda não percorridos em nossas mentes, que amamos a música e seguimos nessa procura eterna! Parabéns Sgt. Peppers e sua trupe! Obrigado pelo espetáculo”.
(Lucas Almeida – banda Vagaluz)

13566990_10201947480764741_80351586619767164_n“Não vou mentir e dizer que o Sgt. Pepper’s é o meu disco favorito dos Beatles (o preferido é o Rubber Soul) mas, com certeza, está entre os melhores e deve ser considerado um dos maiores álbuns de todos os tempos. O Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band tem todos os elementos que fazem dos Beatles a maior banda de todos os tempos: belíssimas melodias, harmonias dotadas de uma ‘complexa simplicidade’, letras bem elaboradas e arranjos muito bem estruturados. O disco mostra como os 4 se aventuraram em novas (e diversas) influências, experiências sonoras, e exploraram diferentes conceitos para criar uma verdadeira obra prima! Já se passaram 50 anos de seu lançamento, e o disco ainda é considerado inovador, de vanguarda, e continua influenciando artistas espalhados pelo mundo todo. Por essas e outras, devemos nos curvar diante de tamanha genialidade! Músicas favoritas do disco: Getting Better e She’s Leaving Home”
(Daniel Fonseca – bandas O Caso e Daparte)

13729138_1101285543271202_6558976042299557856_n“É um disco que acho muito interessante pela proposta que a banda tem no álbum como um todo. Foi pensado com uma estética não só de sonoridade, mas uma estética até de figurinos ne, que a gente vê na questão das cores, dos vídeos, isso mostra uma evolução clara da banda pra mim, um interesse de explorar novas características. Acho que o disco tem uma capa sensacional, icônica na história da música! Acho muito legal as harmonias das músicas com a coisa mais orquestral, arranjo de sopros, me interessa muito até porque influenciou na minha banda Desorquestra e no meu gosto musical como um todo. Gosto muito da música que dá título ao álbum – Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band -, uma espécie de marcha, um grito de guerra. Sensacional toda parte macro do disco, ele é pensado nos mínimos detalhes e mostra um lado mais feliz, mais pra cima dos Beatles, com uma pegada um pouco mais rock em alguns momentos. É um dos melhores discos, se não for o melhor deles… É ímpar, uma obra prima, singular. Dentro da discografia dos Beatles se não for o mais, é um dos mais singulares. Tem uma pegada bem forte, identidade bem forte; sensacional, inovador em muitas questões, mostra o valor musical dos quatro Beatles. Um disco de clássicos, com uma proposta estética e sonoridade diferente, a ideia toda do disco é muito concisa e surpreende. Uma aula de produção de disco como um todo”.
(Léo Sommerlate – banda Desorquestra)

336870_262082550493928_954563743_o“Eu cresci no Vale do Jequitinhonha e sempre ouvi música regional, era minha maior referência. Aos 15 anos, me mudei pra casa dos meus tios em Contagem, e meu tio só ouvia rock, era muito fã dos Stones e dos Beatles. Acabou que a minha formação, a base do rock na minha vida foi formada nessa época, com meu tio mesmo. Minha vida era 100% música brasileira, não me interessavam, na época, músicas feitas fora do Brasil, e os meus tios é que me alertaram para isso. O disco Sgt. Peppers, em especial, pra mim é muito simbólico, ultrapassa a coisa da canção. Tem essa característica de terminar uma música e já começar outra direto, como se fosse uma trilha sonora. Naquele momento da minha vida, aos 15 anos, eu ainda não tinha essa compreensão, só ouvia mesmo. Além de contar efetivamente uma história, o disco tem camadas e camadas de ruídos, sintetizadores, talvez seja o mais experimental dos Beatles, eles que são a banda pop mais famosa do mundo. Eles mudaram a base da cultura pop com um disco tão radical e, ao mesmo tempo, tão popular como o Sgt. Peppers, sinal de que os caras são mesmo geniais. O mais bonito é a colocação das camadas de som, ultrapassa a questão da canção. Isso ficou muito marcado na minha memória. Representa um divisor de águas por causa da queda do modelo de canção. Sgt. Peppers é uma experiência sensorial”.
(Pedro Morais – cantor e compositor)

17311004_1015003035297030_4146647430369736066_o”Os Beatles eu conheci primeiro através das coletâneas “Vermelha” (1962-1966) e “Azul” (1967-1970). Elas tinham algumas músicas do Sgt. Peppers, então fui me acostumando com elas através desses discos. Quando fui conhecer o Sgt. Peppers mesmo, o que me tocou foi o fato de que as músicas saíam da praia do rock e mostravam que os Beatles eram artistas de música universal. Comecei a enxerga-los não como artistas de rock, mas artistas completos. Quando você escuta ‘She´s Living home”, por exemplo, que é muito orquestral, parece música de compositor erudito, totalmente diferente do que uma banda de rock costumava fazer. Tem também ‘When i`m sixty four’, q também sai completamente da base do rock. Me inspira por essa questão de não se rotular… Os Beatles já vinham fazendo isso, principalmente no Rubber Soul e no Revolver, mas o Sgt Peppers chegou ao ápice de ligar o ‘foda-se’ pra coisa do róulo, de “não somos uma banda de rock, somos uma banda de música universal e temos o direito de fazer o que quisermos”. Acho que isso é libertador, influenciou muito na minha carreira”
(Péricles Garcia – cantor e compositor)

cred wikipedia

Ouça o disco na íntegra:
https://open.spotify.com/album/1PULmKbHeOqlkIwcDMNwD4

Você sabia? O álbum acabou virando filme e foi um fracasso!

O empresário da música, produtor de discos e filmes, Robert Stigwood, depois de se tornar bem sucedido como produtor de discos que se aventuravam pelo cinema, nos anos 70, teve a idéia genial de transformar Sgt. Pepper´s Lonely Heart Club Band em filme. Stigwood chamou os Bee Gees, Peter Frampton, a banda Earth, Wind and Fire, Alice Cooper e até o Aerosmith. E ainda apareciam em pontinhas Etta James, Johnny Rivers, Wilson Pickett e Minnie Riperton.

O produtor também resolveu mesclar músicas do “Abbey Road” na trilha. Mas, mesmo baseado em um dos álbuns mais bem sucedido dos Beatles, o filme desandava visivelmente nas gravações. Para piorar, Stigwood quis tirar o foco de Peter Frampton, que fazia o papel principal de Billy Shears. E é claro passar os holofotes para os Bee Gees, que faziam o papel dos irmãos Henderson. Os Bee Gees recusaram, queriam, na verdade, sair do filme, mas o contrato obrigou-os a terminá-lo. O resultado foi um filme tão ruim, que tem gente que nem se lembra que ele foi feito.

Ninguém se lembra, por exemplo, que aparecia no filme um ator novato chamado Steve Martin, hoje, talentoso comediante. Também não lembram que George Harrison, Paul McCartney e Linda McCartney fizeram uma aparição relâmpago em uma das cenas. Até Tina Turner faz uma ponta. Apesar disso, é considerado um dos piores filmes da história do cinema.

Mas, além da trilha sonora, “Sargent Pepper´s Lonely Heart Club Band – o filme”, nada tem a ver com o memorável álbum dos Beatles.

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No mais, só nos resta desejar que A MÚSICA DOS BEATLES NUNCA MORRA!!!

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Categorias
Música
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