UM BRINDE AOS AROMAS, TEXTURAS E SABORES - %%%%

UM BRINDE AOS AROMAS, TEXTURAS E SABORES

Tintos, brancos, rosé, frisantes, espumantes, não importa qual o tipo, a casta ou a nacionalidade o fato é que os vinhos estão cada dia mais presentes na vida dos brasileiros e vieram para ficar.

Há pouco mais de 15 anos experimentar um bom vi­nho no Brasil era tarefa árdua, poucos eram os rótulos que chegavam às praças e nossas vinícolas não eram reconhe­cidas pela qualidade de seus produtos. De acordo com o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), apesar do momento econômico de retratação em diversos segmentos, os vinhos, sucos, espumantes e outros produtos derivados da uva registraram um crescimento de 4,6% no primeiro semestre deste ano e a importação das bebidas chegou a somar US$259,4 milhões. “Acredito que, por muitos anos, houve uma excessiva glamourização, o que afastava o consumidor iniciante do mundo do vinho. Hoje, porém, o cenário vem mudando, e o vinho tem ganhado espaço nos mais diversos pontos de vendas, sendo apresentado ao consumidor de maneira mais simples e descomplica­da”, considera o empresário Erni Luis da Silveira, diretor da rede Vinho & Ponto.

Crédito: Vinícola Rio Sol

A disponibilidade dos produtos em meio a gôndolas de supermercados e delicatessens facilitou a aproximação com a bebida. “Antigamente viajávamos para a Europa e países da América Latina e conhecíamos vinhos maravilhosos, quando voltávamos ao Brasil era praticamente impossível encontrar os mesmos rótulos e quando os achávamos os valores eram extremamente altos, por isso os brasileiros ficaram com fama de trazerem muitas gar­rafas de suas viagens. A alfândega já se preparava para as multas quando pousavam aviões vindo de áreas produtoras de vinhos. Hoje as coisas estão bem mais fáceis, encontramos nossos rótulos conhecemos novos e ainda estamos aprendendo a harmonizá-los com a alimentação. Estes novos ares fizeram bem para a economia, para as vinícolas e para o consumidor brasilei­ro” explicou Hélvio Costa, engenheiro aposentado.

Álvaro Cézar Galvão enófilo co­nhecido como o engenheiro que vi­rou vinho, criador dos blogs Chefs do Apetite e do Divino Vinho, nos contou um pouco sobre as preferências dos brasileiros. “Algumas uvas mais apre­ciadas são também as mais conheci­das, como a Carmenère, a Merlot, a Cab. Sauvignon, entre as tintas e a Chardonnay nas brancas e gostam muito dos terroirs que aqui chegam com bons preços como os chilenos, uruguaios, portugueses. O consumo de vinho no Brasil está melhorando, mas ainda é muito aquém do que pode chegar” conta. Quando perguntado sobre taças ele nos lembra que que estas são objetos que unem engenharia e design, de forma simples, “o tamanho do copo e a abertura deste, servem para “jogar” o líquido na região das papilas que se quer atingir”.

Crédito: Arquivo Álvaro Cézar

“Vinhos, doces, ácidos, e mais comple­xos,devem ser apreciados de maneiras diferentes daí as diferenças de tamanhos e formatos” explicou . Galvão também esclareceu a respeito dos rótulos brasileiros. “São produtos de muito boa qualidade em sua maioria. Há os ótimos e os media­nos como em qualquer país produtor. Já em relação aos espumantes estes sim, são muito bons na questão de qualidade”. Ao ser indagado sobre ró­tulos vindos dos extremos do país Gal­vão contou: “no sul está a quase to­talidade da produção, portanto, é de se esperar que uma quantidade maior de bons vinhos seja dessa região. No entanto, isso não tem a ver com a lo­calização, pois hoje temos tecnologia para saber quais as melhores cepas para os terroires distintos”, explicou.

Harmonizar é preciso: Segundo Gustavo Ziviani, chef de cozinha, regrinhas de harmonização podem ser úteis na hora de se escolher a o prato mais adequado para fazer companhia a sua bebida. “Pinot Noir faz uma ótima dupla com para pratos com sabores terrosos, Chardonnay combina perfeitamente com peixes ricos em gorduras e com molhos mar­cantes, Cabernet Sauvignon fica incrí­vel com carnes vermelhas suculentas, Sauvignon Blanc combina com pratos frescos e molhos mais “azedos”, Rosé para pratos onde o queijo é predominante, Pinot Grigio para os pratos leves de peixe, Malbec não vai roubar a cena em comidas com molhos tem­perados e agridoces, Syrah para pra­tos apimentados, Merlot com molhos escuros, vinhos do velho mundo são bons com pratos clássicos. Você pode apostar nos espumantes rosés para pratos principais incomuns, como um risotto de beterraba, além das tradi­cionais entradas, Espumante Moscatel com salada de frutas e sobremesas, Pratos clássicos franceses vão bem com vinhos da Serra Catarinense e Es­pumantes são perfeitos para qualquer comida salgada. E por falar em espu­mantes ultimamente podemos contar com uma produção brasileira bem in­teressante” disse o chef.

Crédito: Rio Sol

Produção Brasileira: O consumidor brasileiro tem a sua disposição algo em torno de 40 mil ró­tulos de 32 países diferentes. Isso de­monstra o grande interesse que o Bra­sil vem despertando em outras nações produtores e acima de tudo o grande potencial do mercado brasileiro.

É fundamental para competir neste mercado ter um produto que além de preço competitivo tenha um excelente padrão de qualidade. Os vinhos brasi­leiros foram por muitos anos conside­rados produtos de qualidade duvidosa (com raras exceções). Esta é uma reali­dade que ficou para trás, pois eles vêm a cada ano comprovando sua qualida­de e conquistando o mercado.

Apesar de 90% da produção na­cional de vinhos finos e espuman­tes ainda estar concentrada no Rio Grande do Sul, novas vinícolas estão surgindo em outros Estado do Sul e nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Entre essas novas regiões produtoras, a que está em atividade há mais tempo e ganha cada vez mais destaque, principalmente pela produ­ção de espumantes, é o Vale do São Francisco. “ A Rio Sol escolheu, há 15 anos, a região do Vale do São Francis­co principalmente pelo fator climático e pela possibilidade de se produzir algo diferente do que já era feito na Europa. No Sul do país as característi­cas eram semelhantes às de Portugal, com as estações definidas. Já no Nordeste, a alta incidência de sol quase o ano inteiro, aliada a pouca chuva e a disponibilidade de utilizar as águas do Rio São Francisco para irrigação, gerou um cenário desafiador e, ao mesmo tempo, promissor” explicou André Arruda, diretor presidente da vinícola Rio Sol.

Crédito: Rio Sol

Perguntado sobre o carro chefe da vinícola, André nos contou um pouco sobre os famosos espumantes do Vale do São Francisco. “Os espumantes são, hoje, os produtos de maior vo­lume na vinícola. Os consumidores já perceberam o valor e a qualidade do nosso produto e, por isso, ele é fa­cilmente encontrado em todo o Brasil. Mas os nossos vinhos vêm, cada vez mais, ganhando adeptos em todas as regiões do país. Por questões estraté­gicas, interrompemos as exportações há alguns anos e voltamos todos os nossos melhores esforços para o mercado interno. Atualmente estamos retomando este processo de exportação, com foco na Europa, China e Estados Unidos” contou o diretor presidente.

Infelizmente ainda existe precon­ceito com os produtos brasileiros, mas estes se dissipam quando os mesmos têm oportunidade de serem prova­dos. “Existe sim preconceito com o vinho brasileiro de um modo geral. Há algum tempo a produção nacional não tinha a qualidade que tem hoje e isso gerou uma questão cultural, ou seja, as pessoas acreditam que o vinho brasileiro é inferior, quando na verdade hoje temos vinhos de muita qualidade. Nós produzimos vinhos jovens e quando as pessoas provam esse preconceito se dissipa. Uma prova disto é que no Concurso Mundial de Bruxelas – edição Brasil 2017, um dos mais importantes even­tos de vinho do mundo, a Rio Sol foi a vinícola que conquistou o maior número de medalhas entre as 40 vi­nícolas inscritas de todas as regiões do país” contou Arruda.

Crédito: Bardega

Bom negócio: Seguindo o caminho de casas es­pecializadas em outras bebidas como cervejas, cachaças e whisky´s os “Wine Bar” estão conquistando cada dia mais adeptos. “Fomos o primei­ro wine bar do Brasil, há quase cinco anos, queríamos trazer a experiência de ter um bar totalmente dedicado ao vinho para aqueles que são apreciadores fiéis da bebida e da boa gastronomia. O chamariz são os vinhos servidos em doses. No Bardega temos mais de 110 rótulos disponíveis para serem degustados em doses de 30, 60 e 120 ml, assim, o wine bar é atrativo para quem gosta de vinho e quer experi­mentar bebidas de diferentes nacio­nalidades, mesclando a harmonização do nosso cardápio, que também é prioridade. Ainda recebemos muitas pessoas que não são experts em vi­nhos, mas ficam curiosas para conhe­cer o espaço que é totalmente voltado à bebida, assim, acabam se tornando clientes assíduos também. Posso afir­mar que é um mercado promissor, pois há pessoas que não abrem mão de beber vinhos de qualidade, garim­pados através de muita pesquisa e contato direto com produtores e im­portadores. Outro diferencial da nossa casa é contar com vinhos em doses, vários rótulos, ambiente acon­chegante, bom atendimento, além de uma ótima gastronomia. Isso tudo é a chave do sucesso do Bardega. Sempre mesclamos os rótulos da nossa carta, a rotatividade é com base no que é mais consumido e com as tendências do mercado. Prezamos pelo tradicio­nal, mas não deixamos de lado o novo e as novidades. Como por exemplo, criamos drinks com vinhos e espu­mantes e assim, vamos mantendo a nossa carta sempre cheia de novida­des, e fazemos degustações mensais guiadas com cada tipo de uva, para que o cliente se aprofunde no conhe­cimento das bebidas” contou Rafael Ilan, sócio do Bardega.

A engenheira Cláudia Linhares é apaixonada pela bebida e gosta da ideia dos wine bares, pelo ambiente e também pela praticidade. “Algu­mas vezes saímos sozinhas ou com alguém que opta por degustar uma outra bebida e acaba sendo descon­fortável pedir uma garrafa inteira em um restaurante tradicional. Nos wine você escolhe uma taça, experimenta, conhece novos rótulos e ainda não precisa ir embora carregando a tira colo uma garrafa” contou.

Crédito: Rio Sol

Outros bons negócios trazidos pe­los vinhos são o e-commerce e o clube de vinhos. “Notamos que o interesse do brasileiro pelo universo do vinho crescia cada vez mais. Assim, decidi­mos lançar o Clube Wine em 2010 para trazer todos os meses uma nova experiência para o consumidor e em dois anos nos tornamos o maior clube de assinatura de vinhos da América Latina. Percebemos através de nos­sos sistemas que, por exemplo, um assinante do Clube Wine One – nosso clube de entrada – depois de alguns meses passa a procurar e comprar em nosso site vinhos que não pertencem mais àquele nível e sim aos outros clubes como o Classic e o Advanced, ou seja, o paladar dele amadureceu e ele precisa explorar outros rótulos”contou Ana Norato, gerente de ma­rketing do portal Wine.

Também conversamos com a Ana sobre as características dos com­pradores on-line e os desafios do e­-commerce, e ela nos contou um pouco sobre eles. “Como o maior e­-commerce de vinhos do país, o nosso maior desafio está na logística, afinal nossa entrega é realizada em todo território nacional e o Brasil é um país com dimensões continentais. Justa­mente pela grandiosidade, cada re­gião apresenta alguma peculiaridade, como estradas expressas ou de terra. Em se tratando em atendimento,  para ajudar no processo de escolha do consumidor on- line em nosso site dis­ponibilizamos dicas dos nossos som­meliers onde além de informações so­bre a ficha técnica dos vinhos, nossos clientes têm acesso às dicas de har­monização do rótulo. Caso ele tenha mais dúvidas, também pode entrar em contato com os nossos canais de atendimento onde temos uma equipe capacitada pelos sommeliers da Wine que está preparada para ajudar com sugestões e dicas sobre os rótulos. Atualmente a uva mais requisitada no site é a Tempranillo. Quando falamos em espumantes a preferência está no Brut francês, elaborado com as uvas Chardonnay, Ugni Blanc e Colom­bard” disse a gerente de marketing.

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