SOLIDÃO É O FIO CONDUTOR DO 3º ÁLBUM DE GUSTAVO BERTONI

SOLIDÃO É O FIO CONDUTOR DO 3º ÁLBUM DE GUSTAVO BERTONI

Disco tem produção de Lucas Mayer
Crédito: Lari Balsells

“The Fine Line Between Loneliness and Solitude” é o titulo do álbum que Gustavo Bertoni (também vocalista do Scalene) acaba de lançar, um trabalho gravado entre as cidades de São Paulo e Berlim.

Ao todo, foram 10 meses de vivências e muito estudo até chegar ao resultado final do disco-solo, terceiro da carreira do músico, que une o contraste entre a intimidade das letras e a presença urbana nos arranjos. É um álbum que amplia a vulnerabilidade da solidão com alto teor artístico.

“A sobreposição de camadas que visam criar uma sensação de uma visão turva, amarra o conceito que permeia o álbum, retratando a forma como me sentia durante a sua composição”, conta Gustavo.

Desde que começou a carreira solo, venho acompanhando bem de perto o trabalho do Gustavo e posso dizer que é lindíssimo. Amo esse estilo folkie, esse som intimista, revelador e que te faz refletir sobre a própria vida. Ouvir as músicas dele me acalma e me transporta prum lugar só meu, como se ali, ninguém fosse me incomodar e só existisse sentimentos bons. Sou muito fã do que ele faz!

Acho perfeito pra ouvir a qualquer momento, mas principalmente quando você quer se desligar do mundo a sua volta e se preservar um pouco, se guardar de todos os males que assolam nosso país e o mundo nesse momento e ficar naquele cantinho que é so seu. São sensações que as músicas do Gustavo me causam e, por isso, tenho ouvido o disco em looping…

“Nunca havia feito um disco entre 9 e 10 meses, normalmente são ideias que se acumulam em 1 ano e meio, e esse foi totalmente feito durante 2019. Então as músicas acabam sendo bem correlacionadas, sendo o mesmo tema visto de diferentes perspectivas e sensações, porque é realmente toda a questão da solidão e da solitude, uma auto-descoberta”, completa.

Músicas
Veja como Bertoni descreve cada uma das canções que compõem o disco:

“Waves” e “Sit Down, Let’s Talk” foram singles previamente lançados que ambientalizam a presença geográfica no disco, seja pelo abraço aos ruídos urbanos que preenchem as cidades ou pelas mesmas retratadas nos videoclipes.

Com traços de art folk, gênero fio condutor do disco, “Midnight Sun” esboça a simplicidade no álbum junto aos arranjos de corda de Eduardo Canavezes, que pincelam a música. “É sobre recomeçar, sobre procurar de novo a voz da sua intuição dentro de você, abraçar o amargo da vida e deixar pra trás a noção que se tem de você mesmo e partir para algo novo”, diz o cantor.

“Mirror In The Room”, curiosamente, contou com a colaboração de Kjetil Mulelid, um pianista e compositor de jazz norueguês. “A demo tinha um improviso de jazz ao final, que não tinha ficado muito bom – afinal, né, não sou um pianista de jazz-, aí fui num show em Berlim com uma amiga que está morando lá, conheci o pianista, mantivemos contato e mandei a música pra ele”, conta Gustavo.

Tal encontro, inclusive, foi o pontapé inicial para o interlúdio “Alnes”. “A iniciativa partiu do Kjetil, que se identificou muito… E isso é uma parada legal, quando você vê um cara ‘cabeçudo’ e estudado se identificar com uma música simples assim, você vê que tem muita verdade ali e que o simples muitas vezes tem muitas camadas”, analisa.

“White Roses”, feita em parceria com a cantora e artista visual YMA, contrasta com “Patience”, equilibrando a fluidez da obra. “É uma música bem íntima, basicamente sobre dar esse ‘primeiro passo’ do relacionamento, seja ele qual for (sério ou passageiro) com total sinceridade”, diz.

Patience explora mais a importância da solidão: “A música é sobre realmente ter paciência com si mesmo num processo de cura”, comenta.

“Desde que começamos a arranjar Rabbit Hole, sentimos que era a música pra fechar o disco. Acho que ela tem um final bem bonito, bem potente em questão de sentimento, é uma das letras mais vulneráveis que eu já escrevi, foi difícil de tirar ela do peito”, reflete o cantor.

A combinação de ambiências, sintetizadores e alguns elementos eletrônicos sutis trabalham o folk com outros gêneros mais experimentais.

 

Ficha Técnica
The Fine Line Between Loneliness And Solitude
Gustavo Bertoni
Produção Musical: Lucas Mayer
Engenheiro de Gravação: Lucas Mayer
Edição do Áudio: Lucas Mayer
Engenheiro de Bateria: Rodrigo Deltoro
Assistente de Estúdio: Jota.Pê
Mixagem: Ricardo Ponte
Masterização: Erwin Mass
Estúdios: DaHouse Audio GmbH (Berlim, Alemanha) e DaHouse
Audio (São Paulo, Brasil)
Design Gráfico: Sometimes Always
Ouça aqui!

 

Categorias
destaqueMúsica
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