REVISTA DÁ VOZ A MULHERES LÉSBICAS E BISSEXUAIS

REVISTA DÁ VOZ A MULHERES LÉSBICAS E BISSEXUAIS

Publicação é feita por uma equipe de nove mulheres de diversas áreas
Crédito: Paula Rodrigues - Ponte Jornalismo

Já está no ar a Lésbi, revista mineira produzida e voltada para mulheres que se relacionam com mulheres, com um conteúdo de qualidade e a acessível. A jornalista Ana Luiza Gonçalves reuniu oito profissionais lésbicas e bissexuais de diferentes áreas para construir a Lésbi, que pretende ser um espaço de discussão, visibilidade e representatividade.

“O desejo por mais informações sobre o universo de mulheres lésbicas e bissexuais surge lá na minha adolescência quando eu estou me descobrindo lésbica. Naquela época, há mais de 15 anos, eu já percebia uma dificuldade grande de conversar sobre o assunto, de me reconhecer lésbica, de conseguir atendimentos de profissionais capacitados para dialogar comigo de forma clara sobre a minha sexualidade”, comenta Ana Luíza.

Ana Luiza Gonçalves

A ideia da revista surgiu no final de 2017. “Foi quando saí de um relacionamento em que a pessoa tinha atitudes abusivas. Mesmo eu ainda sabendo o que era esse comportamento dela, questionava: uma mulher pode ser abusiva com a outra? A partir disso, fui buscar informações e não encontrava discussões sobre o tema. Entrei num grupo de mulheres lésbicas no Facebook e postei sobre o assunto. Muitas vieram conversar comigo, relatando sofrerem violência física e sexual. Percebi, então, que era tudo mais grave. A partir disso, pensei em criar algo somente sobre o assunto, mas fui percebendo que o que existia era um grande buraco nas informações e que era preciso criar algo mais amplo para falar sobre todos os assuntos que permeiam lésbicas e bissexuais”, explica.

“A vontade de me expressar tranquilamente nos espaços e até mesmo em casa era sempre barrada pelo preconceito. As idas ao ginecologista para consultas de rotina, por exemplo, eram acompanhadas pelo medo e também pelo desconhecimento do profissional. Ouvi muito que eu não precisava fazer o preventivo, porque não me relacionava com homens”, completa.

Em 2019, a jornalista viu uma boa oportunidade de concretizar o desejo tanto de produzir quanto de levar informações para esse público. “Nosso desejo é que a Lésbi chegue em espaços variados, sim, mas que principalmente alcance pessoas que têm essa dificuldade que eu tive um dia e que possa ajudar de alguma forma, seja informando, seja acolhendo”, diz.

“Em janeiro abrimos nossas redes pessoais e um e-mail para que as pessoas mandassem sugestões de pautas e recebemos muitas. Isso só confirma a necessidade de um canal para comunicar com essas mulheres”, afirma Ana Luiza.

Lésbi

Primeira edição

No lançamento, a Lésbi fala sobre maternidade homoafetiva, saúde da mulher lésbica e bissexual, sexo entre mulheres, os enfrentamentos de mulheres negras numa sociedade racista, relacionamento abusivo, mulheres que se descobrem lésbicas ou bissexuais ou saem do armário mais tarde, relacionamento entre lésbicas cis e mulheres translésbicas e muitas dicas de entretenimento. “Estamos criando um banco de dados de profissionais que atendem a população lgbtqia+ e nesta edição é possivel encontrar contatos de advogados e psicólogos, por exemplo”.

A equipe é formada por nove mulheres – jornalistas, designers, engenheira e psicólogas -, mas contamos também com convidadas para ilustrar a revista. A ideia é que todas as pautas sejam ouvidas e debatidas.

“As matérias podem também ser relatos da vivência de todas as mulheres da equipe. Elas compartilham tanto com as profissionais e pessoas entrevistadas quanto com as leitoras experiências próprias. Isso pode parecer que o processo da escrita tenha sido mais fácil, mas escrever sobre alguns assuntos é ativar também algumas dores”, explica Ana Luiza.

Com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, a publicação contará com duas edições, com impressão de dois mil exemplares, distribuídos em espaços culturais da capital mineira, após o fim da quarentena. Enquanto isso, as matérias podem ser acessadas pelo site www.revistalesbi.com.br.

Anote
Revista Lésbi

Edição: Ana Luiza Gonçalves
Produção executiva: Camila França
Redação: Adriana Roque, Alicia Moreira, Ana Luiza Gonçalves, Camila França, Helen Castro, Isabela Alves, Roberta Nunes e Vanessa Perroni
Projeto gráfico: Renata Coutinho
Designer: Renata Coutinho e Chris Souza
Fotografia: Mayara Laila
Ilustrações: Mônica Monteiro e Larissa Moraes
Capa e contracapa: Maira Paiva
Assessoria de imprensa: Camila França
Assessoria jurídica: Dolabella Advocacia
Contabilidade: Rosy Costa
Tiragem: 2.000 exemplares

Na internet
Site: www.revistalesbi.com.br
Facebook: Revista Lésbi
Instagram: @revistalesbi
Site: www.revistalesbi.com.br

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