RETROSPECTIVA: 2018 PARA A CENA MUSICAL MINEIRA

RETROSPECTIVA: 2018 PARA A CENA MUSICAL MINEIRA

O que tivemos de mais relevante e legal no som produzido por aqui?

Finalmente, 2018 está acabando! Foi um longooooooo ano, não é mesmo? Tenso, estranho, com consequências que vão deixar marcas profundas em todos nós. Mas, nosso intuito aqui é relembrar o que de bom aconteceu na música, principalmente a feita em Minas.

E, nesse quesito, foi o máximo! Tem muito som novo, muita banda massa trilhando caminhos sólidos e eu duvido que você não tenha conhecido nada legal neste ano. Para falar sobre isso, conversamos com algumas bandas, jornalistas e apaixonados por música para fazer uma viagem no tempo e descobrir o que de melhor rolou por aqui. Embarque com a gente:

O QUE DIZEM OS MÚSICOS/BANDAS

Devise
Já falamos deles aqui na coluna BH Cult Indica, são uns queridos. Para a Devise, foi o melhor ano até agora. “Tocamos bastante. Foram mais de 20 shows em diferentes cidades e estados. Participamos de grandes festivais, tocamos com bandas amigas muito queridas, nossas músicas passaram a ter mais constância em rádios como a 98FM, Inconfidência e algumas emissoras do interior do estado. Começamos o ano lançando um tributo aos Paralamas do Sucesso, uma versão de “Uns Dias” gravada no Sonastério que foi compartilhada pelos próprios Paralamas e estreou na TV (Canal Bis e Music Box). Também lançamos vários vídeos com repercussão muito forte e encerramos com o single “Além do Próprio Espelho”, música que já tomou uma importância muito grande pra gente”, comemora Luis Couto, vocalista.

Para ele, 2018 foi um ano em que a música e a arte em geral foram constantemente confrontadas. “A interpretação errada de uma boa parcela das pessoas sobre a Lei Rouanet, vários artistas sendo muito fortemente atacados por se posicionarem politicamente (a gente mesmo sofreu isso um pouco com o clipe de “27”), o que é muito ruim porque não se separa a política da arte e é uma tentativa de cercear a liberdade. Acho que o maior exemplo disso foi a passagem do Roger Waters pelo Brasil. Eu fiquei um pouco envergonhado e sinto uma grande preocupação em relação ao que está por vir para o meio artístico no próximo ano”, explica.

Ao mesmo tempo, conta Luis, foi um ano de grandes lançamentos no Brasil e no mundo. “Difícil citar todos os favoritos, mas vou falar os primeiros que me vieram à mente. “For Now” do DMA’s, que hoje é uma das nossas maiores referências, “Call The Comet” do Johnny Marr, “Natural Rebel” do Richard Ashcroft. No Brasil, “Charles” dos nossos irmãos da Daparte, “Enquanto o Futuro Não Vem” do The Outs, “Taurina” da Anelis Assumpção e “Amenidades” do Lê Almeida. Tá faltando MUITA coisa aí!

Para 2019? “Fazer mais shows ainda, talvez chegar em alguns estados que ainda não tocamos e lançar um disco novo! Estamos trabalhando pra isso”, comemora!

Moons
A gente já falou dela aqui muitas vezes! É, sem dúvida nenhuma, minha banda e meu disco preferido de 2018 (Thinking Out Loud) ♥. Por isso, é claro que eles tinham que estar nessa retrospectiva. Conversamos com o vocalista André Travassos que nos disse que se no âmbito nacional foi um ano desastroso, profissionalmente foi muito bom pro Moons. “Lançamos nosso segundo disco, nos consolidamos enquanto uma banda de seis integrantes e tocamos bastante por aí em shows muito especiais”.

Um dos fatos mais importantes, segundo ele, foi o Moons ter passado de um projeto solo para uma banda com integrantes fixos. “Isso acaba por mudar também um pouco do nosso som né?”, diz André. Em termos de show, ele cita um bem marcante, que foi a abertura do do Lô Borges no Grande Teatro do Sesc Palladium. “Além disso é muito gostoso ver o nosso trabalho alcançando cada vez mais pessoas por aí”, conta.

No cenário atual, André destaca três discos: “são incríveis e me acompanharam: Afastamento do Juliano Gauche, Sinto Muito do Mahmed e Warm do Jeff Tweedy”. E para 2019: “continuar a divulgação do Thinking Out Loud rompendo ainda mais as fronteiras”, afirma.

Daparte
“Foi um ano de muito aprendizado, boas oportunidades e conquistas”, é assim que o baixista Túlio Lima define o 2018 da Daparte, que lançou seu álbum de estreia: Charles. “A partir daí, fizemos uma maratona de shows para os mais diversos públicos e festivais, gravamos e lançamos três videoclipes (Guarda-chuva, Aldeia e Acidental) e lutamos por um espaço nesse belo e vasto cenário autoral de Belo Horizonte, onde conquistamos um público expressivo que nos impulsionou a sair daqui e buscar reconhecimento fora de nossa região”, conta.

Para ele, a cena autoral cresceu bastante em 2018. “Muitos artistas novos emergindo e atraindo novamente as atenções para Minas. Isso é muito importante pra gente, e pra todos se conscientizarem de que nossa união só tende a fortalecer a cena. Ninguém está sozinho”, lembra.

No ano que vem, “novos singles, novas e inusitadas parcerias, novos vídeos, nova sonoridade e viajar por todos os cantos desse país semeando a nossa música”, espera o baixista.

Abaixo, o genial clipe da música Acidental, lançado em dezembro:

Banda Quarto
2018 foi o ano do nascimento da Quarto, que lançou seu primeiro disco: Onde Começa O Infinito. “Queríamos muito que isso acontecesse e quem acompanha a banda até cobrava da gente. Desde o começo das gravações até o show de lançamento foi um período de muita satisfação, de realização total. Não é à toa o nome dos disco, é basicamente o começo de tudo mesmo”, conta o baixista Lucas Ben.

Lucas acredita que 2018 foi um ano bom para a música em geral. “Vimos muitas bandas novas surgindo e bandas já com estrada deixando cada vez mais forte o interesse do público por músicas novas e boas. Por alto aqui, me lembro da Daparte, Devise, Lagum, Plutão, Dingo Bells, entre outras. Isso nos motiva ainda mais a continuar nessa estrada”.

Para 2019, a banda já tem muitos planos. “Queremos gravar o segundo disco, tocar muito mais, visitar outros estados pra nossa música chegar ao máximo de lugares possíveis, conhecer muita gente nova… Eu já falei tocar muito mais? Tocar muito mais, rs…”

Crédito: Vitor Maciel

Khadhu Capanema
Para o músico, e líder do Cartoon, foi um ano de muito trabalho! “Foram vários projetos acontecendo ao mesmo tempo – o nascimento da Fractal Orchestra da qual faço parte, toquei muito com a Orquestra Ouro Preto, aniversário de 10 anos da Led III, vários shows com o Cartoon  e o que me tomou mais tempo, e é a maior realização: o lançamento do meu primeiro disco solo, Inverno Mineiro, em agosto. Muitas coisas legais aconteceram, não posso reclamar”, conta.

Fora isso tudo, ele ainda faz parte da Orquestra Mineira de Rock (OMR). “Tivemos um ano bom, culminando na comemoração dos 20 anos com um show no Palácio das Artes. É um projeto do qual todos nós pretendemos nos dedicar mais para que possa crescer no ano que vem”.

E para 2019? “Queremos investir na OMR, como eu disse, e levar o show pro resto do país. Já o Cartoon planeja gravar um disco novo, não sei se sai no ano que vem mas já estamos trabalhando nisso. E pessoalmente, quero investir mais no meu trabalho como intérprete e compositor, no meu canal no You Tube”. (Se você ainda não ouviu Inverno Mineiro, clique aqui!)

Roger Deff
Para o músico e rapper, 2018 foi um ano interessante no que diz respeito à produção artística. “Pude trabalhar no preparo das músicas do meu disco solo e ainda gravei o terceiro álbum do Julgamento, chamado de Boa Noite, este foi um fato muito importante. Fiquei muito feliz com as participações de pessoas que admiro como Tamara Franklin, Marcelo Veronez, BNegão. Dokktor Bhu, Shabê, X Câmbio Negro… E ainda tivemos o show com a direção do Sérgio Pererê, que é um grande amigo e um artista que me inspira também”.

Roger também participou do segundo disco do Rodrigo Borges. “Ele conta com as participações de Otto, Mart’nália, Toninho Horta e Josie Lopes, e foi interessante firmar estes diálogos através do rap. Além disso, dei passos importantes no meu trabalho solo, estou consolidando uma caminhada que está em planejamento há tempos”.

Na música, para o rapper, tivemos vários lançamentos relevantes. “Destaco o Baco Exú do Blues, Júlia Branco, Cromossomo Africano, Djonga, Coração de Andarilho, Elza Soares e Erasmo Carlos, trabalhos que não saírem da minha playlist”.

Para 2019, ele pretende lançar seu disco solo, o Etnografia Suburbana, em abril. “Tem uma campanha no Catarse atualmente para ajudar a fazer acontecer. É um passo importante pra mim! Pretendo lançar um EP em novembro, com algumas parcerias de amigos como a Júlia Branco e de poetas como o César Gilcevi e o Flávio Boaventura. É um ano em que pretendo produzir muito. Há muito o que fazer e é também um ano para resistir!”, afirma.

Trio Amaranto
Para as irmãs Flávia, Ana Lúcia e Marina Ferraz, 2018 foi um extremamente desafiador, mas que guardou boas surpresas. “O Amaranto completou 20 anos de carreira! Duas décadas de muito trabalho na seara da música, fazendo da nossa música nosso ganha pão, fazendo a história da nossa família coincidir com a profissional, irmãs que somos. Como um grupo independente, enfrentamos muitos desafios e temos a convicção de que nenhum momento foi tão cheio de problemas a se superar como nos últimos anos e neste 2018”, comenta Flávia.

Ela explica que houve uma mudança muito rápida na forma das pessoas consumirem música, na sua rotina de vida e lista de prioridades e o grupo sentiu um movimento constante de readaptação. “Isto não nos oprime. Encaramos como naturalidade o desafio e vamos seguindo. Uma escolha acertadíssima foi a de comemorar o aniversário de carreira de maneira intimista, realizando uma série de concertos em nossa casa, para pouquíssimos convidados por vez. Cada encontro foi cheio de emoção e pudemos vivenciar relatos que reconstruíram nossa história do ponto de vista de vários olhares. Gente que nos acompanha desde sempre, gente que nos conheceu há pouco. Foi lindo”, comemora.

Uma das mais gratas surpresas que o grupo teve  ainda não é conhecida do público, segundo Flávia. “Fizemos um show lindo na Sala Minas Gerais, com nossos amigos do Trio Mitre: Luísa Mitre, Natália Mitre e Kiko Mitre. Era uma homenagem a Cole Portes e os irmãos Gershwin. Sem nosso conhecimento, Murillo Correa – que estava fazendo o som do evento – gravou o show inteiro e pudemos trabalhar na produção dele para o ano que vem! Foi um ano de muita gratidão. Nossa trajetória é muito bonita e nos fez muito bem relembrar isto junto de tantos amigos e fãs que viveram conosco tantos belos momentos”.

Poison Gas
Se você mora em BH e nunca ouviu falar da Poison Gas, tá andando nos lugares errados. Eles são incríveis… Já conversamos com eles aqui na BH Cult Indica logo quando estavam começando… Apesar de muito jovens, eles já alcançaram grandes conquistas, como participar da International Beatle Week em Liverpool neste ano. Não é pra qualquer um… Aqui, cada um deles conta um pouco do que viveu e das expectativas para o ano que vem.

Davi Leão (baixista/vocal):
“Pra mim, 2018 foi um ano ótimo. Teve viagem pra Liverpool, muitos shows e conseguimos desenvolver mais um pouco nosso trabalho autoral. Foi um ano de muita música no mundo, com muitas bandas novas surgindo. Espero um cenário renovado num tempo próximo e, em 2019, lançar músicas, clipes, além de fazer shows maiores tanto dentro quanto fora de Minas”.

Gabriel Colen (guitarrista/vocal):
“2018 foi um ano incrível como músico. Lançamos três clipes das nossas músicas e fizemos diversos shows marcantes. O acontecimento mais legal foi a viagem para a Europa, uma viagem com toda a família em que passamos por Lisboa, Londres, Manchester e Liverpool. Chegando em Liverpool, fizemos sete shows em cinco dias na Beatle Week. Esperamos iniciar 2019 com o lançamento do nosso primeiro álbum e poder trabalhar como uma banda 100% autoral”

Pedrinho (guitarra solo):
“Foi um ano muito bom, a banda mudou e acompanhou outro caminho. Decidimos levar o projeto a sério, eu vi que vai dar certo, se Deus quiser. O mais importante, pra mim, foi a ida a Liverpool! Conhecemos um outro país juntos, eu não pensava que isso fosse acontecer tão cedo, e foi muito bom. Para 2019, a gente pretende gravar um álbum novo e lançar no início do ano. Além disso, queremos fazer músicas cada vez melhores, com temas que a galera curta e expressem o que estamos sentindo, e que sempre atinjam o maior público possível.

Rafael Baino (baterista):
“Em 2018 nós crescemos bastante como músicos e principalmente como pessoas, e através da banda, tivemos experiências extraordinárias. Fizemos vários shows importantes, iniciamos a gravação do nosso disco, viajamos juntos pra Europa e isso com certeza nos tornou mais unidos. Estamos muito animados para 2019. Em breve, vamos lançar nosso disco e pretendemos fazer shows em outros estados. Estamos trabalhando muito para que 2019 seja cheio de novidades e sucesso!

O QUE DIZEM OS JORNALISTAS E ENTUSIASTAS DA MÚSICA

Thiago Prata, repórter de cultura do jornal O Tempo
De uma maneira geral, a cena mineira de rock teve um ano positivo, tanto no ponto de vista de lançamentos de discos de qualidade quanto em shows de alto nível. Falando primeiramente de álbuns lançados, é obrigatório citar o grupo Moons, que lançou uma pérola em formato de disco. “Thinking Out Loud” é daqueles álbuns deliciosamente difíceis de se rotular, transitando pelos territórios do folk, do indie e do pop, e trazendo um gama de ótimas canções, como “A Dive Into You”.

Outro destaque é a dobradinha Skip Jack/Thiago Corrêa. O primeiro, nascido nos anos 90 e contando em sua formação com Maurinho Berrodagua – vulgo Maurinho Nastácia – nos vocais e Terence Machado na bateria, lançou seu autointitulado rebento de estreia, em que regrava músicas autorais de duas décadas atrás. Influenciado por bandas como Led Zeppelin e Alice in Chains, acertaram em cheio com seu rock direto e sem firulas. A produção do disco do Skip é outro ponto que chama atenção. Cortesia de Thiago Corrêa, que, aproveitando a deixa, também soltou uma bolacha no mercado fonográfico, ótimo trabalho, por sinal. Quem ainda não conferiu, corra atrás de “A Solidão É o Fio”, que vale cada segundo ouvido.

E falando em discos solo, dois membros da ‘Santíssima Trindade’ do rock progressivo mineiro lançaram belíssimos registros. Khadhu Capanema, líder do Cartoon, investiu num ‘soft’ rock em “Inverno Mineiro”. Uma preciosidade recheada de folk, pop, MPB e flertes no blues, com letras cantadas em português. A ausência de guitarras torna o trabalho ainda mais interessante para seus súditos. Já Guilherme Castro, do grupo Somba, também desfila criatividade em seu segundo play solo, “Fábula Rasa”. Como ele próprio salientou certa vez, trata-se de um disco feito de forma “caseira e artesanal”. As oito faixas conseguem aliar sofisticação com simplicidade, em um trabalho bastante emotivo e que vale muito a audição.

Pelos campos do metal, o Drowned lançou mais um petardo do death/thrash mineiro. Intitulado de “7th”, traz Fernando Lima e companhia novamente ávidos a estourar alguns tímpanos com sua agressividade aliada a uma técnica apurada. Só para constar, o Mutilator ensaia um retorno bombástico para 2019. Neste ano, o grupo já fez apresentações ao vivo e regravou um clássico, a faixa “Nuclear Holocaust”. Para o ano que vem, promete um EP, com cinco novas músicas e a releitura de mais uma canção do passado.

Com relação a shows, é até difícil listar alguns diante de uma cena tão rica artisticamente. Mas é necessário citar ao menos o show do Skank, realizado no KM de Vantagens Hall, em abril, com ênfase em seus três primeiros discos, “Skank”, “Calango” e “Samba Poconé”, fazendo muito fã se inundar nas próprias lágrimas. Nostalgia e bom gosto em uma tacada só.

Além disso, a Orquestra Mineira de Rock, formada pelos membros do Cálix, do Cartoon e do Somba, premiaram seus fãs novamente com um show espetacular, em dezembro, no Palácio das Artes. Com casa cheia e ingressos esgotados, destilaram clássicos das três bandas e de ícones como Led Zeppelin, Beatles e Queen.

Belo Horizonte, por sinal, ainda serviu de rota para vários grandes artistas de diferentes esferas do rock, como L7, Accept, Carne Doce, Rubel, Shaman, Vanguart, Judas Priest e Ozzy, em mais uma de suas “turnês de despedida”. Todos shows de altíssimo nível. No entanto, é inegável que o ápice se deu com Roger Waters. O eterno baixista e cabeça-pensante do Pink Floyd (costumo dizer que Gilmour era o coração do Floyd, enquanto Waters era o cérebro; mas os dois juntos formavam a alma do grupo) trouxe um espetáculo para o Mineirão que não ficou restrito a um show de rock. Ali tinha teatro, cinema, dança… e política. Houve quem torcesse o nariz para as opiniões de Waters, que manifestou repugnância à extrema direita de Jair Bolsonaro. Mas tiveram que se render a esse monstro sagrado.

No fim das contas, a cena de rock mineiro está viva, está na rota e tem muita lenha a queimar. Que venha 2019!

Marcos Tadeu, apresentador do programa “Esse Tal de Rock N´Roll” e do quadro “Rock Cabeça”, na Rádio Inconfidência
A princípio, é preciso dizer que o melhor que tem sido feito em termos de rock e seus subgêneros (stoner, hardcore, punk) migrou totalmente para o underground. De lá saíram ótimos discos, como o “Atalaia” da Isso, e “Memes against the Machine”, do Jota Quércia, entre muitos outros. Tivemos também a Roboto abrindo para uma banda internacional, Red Fang, em março, no que consiste em um verdadeiro marco para o rock independente mineiro. Em relação a 2017, porém, vivemos uma entressafra de boas bandas e bons trabalhos, com o fim de grupos importantes, como a KKFOS, uma baixa lamentável na Evil Matchers com a saída do baixista Leo Alves e, mais uma vez, o cover dominando o gosto do grande público com bandas anômalas, sem contar os festivais que privilegiam sempre os mesmos nomes em seus line-ups. No entanto, comebacks de bandas como Valv, Ous e até Camera acabaram por suprir esse gap de novidades.

2018 consolidou Devise e Moons como dois vertentes do rock mineiro, com a Young Lights correndo por fora. A Devise traz consigo uma turma de artistas influenciados por Skank, Beatles e Oasis que consegue dialogar melhor com o universo cover: Daparte, Radiotape, Ous, etc. Já o Moons se tornou uma espécie de independente erudito, uma linha seguida principalmente por artistas solo como Bernardo Bauer, Leonardo Marques, Gui Hargreaves e que dialoga muito bem com mpb, jazz e bossa nova. A Young Lights é sempre um capítulo à parte, pois Jairo Horsth é o mais próximo do que o rock mineiro tem como uma estrela – com os prós e contras que isso representa. Transita muito bem por todos os universos, trazendo consigo uma turma que tem no inglês um dos atrativos, como Julie & Gent e Qairo.

Bernardo Cançado – do Oncêvai e social media do Circuito do Rock
O grande feito da cena roqueira em Minas neste ano, para mim, foi a fato das bandas se movimentaram mais, correndo atrás, tomando a frente dos projetos independente de grandes produtoras, contratantes ou gravadoras. Isso tem sido muito legal porque a cena sai de um lugar inerte para uma em que se cria e se produz o tempo todo, atraindo e fidelizando o público. As bandas também estão se profissionalizando mais, investindo em redes sociais, streaming, fazendo shows de maneira independente mas com muita qualidade.

Em relação aos destaques musicais, acho que o grande nome de 2018 por aqui foi a Daparte! Este foi o ano da Daparte, que lançou seu primeiro álbum, Charles, muito bem aceito e aclamado pelo público e pela crítica. Um disco muito bem feito, com variações sonoras que vão desde Clube da Esquina, passando pelo rock pesado, britânico entre outros. Uma miscelânea muito bem feita, pegando as influências de cada um dos integrantes.

Tivemos também outros grandes trabalhos, como o Thinking Out Loud, da Moons, um disco belíssimo e de muito bom gosto; O Re-Uni, do Fábio Della, que conseguiu fazer uma reunião interessantíssima de grandes músicos, com clipe que foi divulgado em canais como Multishow e Bis; A Riviera se firmou bastante também, abrindo show de nomes importantes como Pitty, Farm From Alaska e participando de grandes festivais; A Young Lights que, apesar de não ter feito nenhum lançamento em 2018, se consolidou fazendo muitos shows e reunindo um público fiel; Tem também Bronnco Billy e os Mangas Coloradas que lançaram um disco num show muito emocionante na Sala Juvenal Dias; A cena blues, puxada pra cima por nomes como Alexandre da Mata, Auder Jr e Affonsinho; A Skip Jack que gravou um disco depois de 20 anos; o projeto Até A Arcada Final, do maestro Rodrigo Garcia que, apesar de erudito, fez arranjos para músicas de compositores mineiros da cena independente como Cartoon, Moons, Cálix, etc; e pra fechar o ano, ainda tivemos o incrível espetáculo de comemoração de 20 anos da Orquestra Mineira de Rock, num Palácio das Artes lotado e sold out com 4 semanas de antecedência. O projeto é uma prova de que as bandas devem mesmo se juntar, fortalecendo a cena e promovendo o sucesso coletivo.

PERDAS

Crédito Anna Lara

Foi um ano também de perdas irreparáveis para a música brasileira, como Ângela Maria e Dona Ivone Lara. Mas, falando especificamente aqui de Minas, nossa música sofreu um grande baque com a morte do Flávio Henrique, compositor, produtor, cantor, integrante do Cobra Coral e ex-presidente da Rádio Inconfidência.

“2018 chamou a atenção por termos vivido muitas partidas de gente querida. De todas, para o Amaranto, a perda de nosso amigo Flávio Henrique doeu demais”, conta Flávia Ferraz.

É o que também citou o Roger Deff: “Foi uma perda que será sentida por muito tempo! Flávio Henrique era uma voz importante que deixou um enorme legado tanto artístico quanto o da sua gestão na Inconfidência”.

Muitas homenagens foram feitas durante o ano, como o show belíssimo no grande teatro do Palácio das Artes, que contou com nomes como Cobra Coral, Juliana Perdigão, Lucas Fainblat, Marina Machado, Sérgio Santos e Vitor Santana. Chegam para se juntar ao grupo de mineiros as cantoras Mônica Salmaso e Tatiana Parra. Entre os instrumentistas convidados estão André Mehmari, Chico Amaral, Juarez Moreira e Thiago Delegado.

PARA MIM

Ouvi muita coisa legal e diferente em 2018! Do ponto de vista musical, foi um bom ano, na minha opinião. O maior destaque é a Moons – eu sei que vocês já devem estar cansados de me ouvir falar deles, mas há muito tempo não escutava nada tão arrebatador e incrivelmente lindo como o som que eles fazem. E vocês puderam ver aí, todos os três convidados acima citaram a banda como destaque deste ano. Além disso, tive a oportunidade de conhecer e trocar ideias musicais com o vocalista André Travassos – o que me fez ficar ainda mais fã! Rola uma promessa de uma parceria entre nós, quem sabe não sai no ano que vem?

A Daparte também foi um grande estrondo! Eu adoro os meninos, são músicos talentosíssimos, além de amigos queridos e o disco de estreia é muito bom! Destacaria as músicas Aldeia, A cidade e Fênix!

Vi muito show legal também, sou privilegiada!!!
Banda Cartoon (6x – incluindo uma no Festival de Inverno de Ouro Preto)
Moons (5x) – nem preciso comentar mais, né?
Daparte (5x)
Plutão Já Foi Planeta (2x)
Grupo Cobra Coral (2x)
ToquinhoOficial (no dia do meu aniversário <3)
Roger Waters (que foi o maior, melhor e mais foda show que ja vi na vida inteira… não existe nada parecido)
Noel Gallagher (muitooooooo bom)
Orquestra Mineira de Rock (20 anos do projeto, emocionante demais, super espetáculo)
Affonsinho Heliodoro (4x; e em duas delas tive a oportunidade de cantar com ele)
Carne Nua (cantando em dois shows no Jack Rock Bar)

Bônus Track:
E ai, aos 45 do segundo tempo, fomos presenteados com o som super original e delicioso da banda Rosa Neon, formada por Marianan Cavanellas,  Luiz Gabriel Lopes, Marcelo Tofani e Marina Sena. É um som que te dá vontade de sair dançando e sendo feliz. Eles já lançaram dois singles e dois clipes, e a ideia é ir mostrando uma novidade a cada mês.  Se não ouviu ainda, corre!

Espero que 2019 seja um ano ainda mais efervescente e cheio de grandes lançamentos. Para você que ainda diz coisas como “ah, depois do Skank nunca mais fizeram nada na música mineira…”, se liga!!! Isso já era! Minas é um grande celeiro sim, de coisa boa, talento, melodias incríveis e um público massa! Um 2019 foda de tão bom pra todos nós!

Categorias
Música
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