NATHALIA DILL APRESENTA "FULANINHA E DONA COISA" NO MINAS

NATHALIA DILL APRESENTA “FULANINHA E DONA COISA” NO TEATRO DO MINAS

Escrita há 30 anos, peça discute a relação entre patroa e empregada
Crédito: Gui Maia

O teatro do Centro Cultural do Minas Tênis Clube recebe, nos dias 24 e 25 de novembro, sábado e domingo, às 20h, a peça “Fulaninha e Dona Coisa”, estrelada por Nathalia Dill, como Fulaninha, Vilma Mello, como Dona Coisa, e a participação de Leandro Castilho.

Escrita por Noemi Marinho há 30 anos, a primeira montagem foi dirigida por Marco Nanini e estrelada pelas atrizes Aracy Balabanian e Louise Cardoso. O espetáculo é uma oportunidade para discutir, de forma bem-humorada, os conflitos do relacionamento entre pessoas de diferentes origens e a transformação nos direitos trabalhistas dos empregados domésticos.

A peça conta a história de Fulaninha, uma jovem com a cabeça cheia de sonhos que chega do interior para trabalhar como empregada doméstica. Dona Coisa é uma mulher moderna, independente, que prefere manter certa distância em suas relações. O encontro entre as duas mostra as dificuldades da convivência diária entre patroa e empregada.

Batemos um papo com a atriz Nathália Dill que nos contou sobre como é estar no elenco de uma peça tão importante para a dramaturgia brasileira e sobre as peculiaridades das personagens. Confira:

BHCult: Como é participar de uma peça tão famosa e queria pelo público?
Nathália Dill: É uma honra estar fazendo esse texto, um personagem que a Louise Cardoso interpretou, tenha uma admiração muito grande por ela, pelo trabalho, pela história dela. E acho que o texto continua super atual. Como já foi montado há mais de 20 anos, tem muita gente não pegou o texto, não conhece a história e, mesmo assim, ele continua atual, toca ainda as pessoas, faz refletir, faz rir. Tem sido uma surpresa enorme em todas as cidades em que a gente passou.

BHC: Quem é a Fulaninha pra na sua opinião?
Nathália: A gente brinca que cada um tem um momento Fulaninha ne, cada um tem uma Fulaninha dentro de si. Cada um, quando sai da sua zona de conforto, do seu ambiente dominado, você se “fulaniza”, se torna uma “fulaninha”. Quando a gente sai do nosso país e vai para um país diferente, por exemplo, com outras regras, outras leis, a gente vê o que sabemos é muito frágil, é muito pouco e acabamos nos atrapalhando com coisas simples. A gente nunca pode esquecer que não existe um tipo de gente que é ignorante ou que é culto. Todo mundo consegue estar dentro dessas duas categorias, dependendo do momento, da circunstância. Por isso, acho que todo mundo ao assistir à peça, se identifica com situações e momentos da Fulaninha e também com a Dona Coisa. Ela pra mim é isso, uma pessoa que está descobrindo um ambiente novo, regras e sinais novos, se descobrindo como mulher, como cidadã, como trabalhadora, e por isso que é tão importante de ser retratada nesses dias. A peça foi montada antes da PEC das Domesticas, então a Fulaninha ainda não tinha os direitos todos prescritos pela lei como hoje em dia. Mas agora a gente vê que isso está cada vez mais frágil, esses direitos, essas leis, escorregadias e frágeis, então é importante reafirmar como era antes paras que as pessoas não esqueçam.

BHC: E a relação com a Dona Coisa? Como você descreveria?
Nathália: A relação que é hierárquica porque a Dona Coisa é a patroa e a Fulaninha a empregada, Mas, ao mesmo tempo, descobre que ao longo da peça uma precisa da outra. As duas são solitárias, é uma relação muito bonita em que a gente vê que existe uma exploração, existe uma hierarquia, mas que, no fundo não é boa para ninguém. No fundo, elas estão lado a lado. Nessa montagem, a gente acaba olhando mais também para o vazio e para a solidão da Dona Coisa, do que só uma patroa que manda e desmanda. Isso tem a ver com a proposta da peça, que as relações trabalhistas sejam mais igualitárias, mais dignas e percam essa herança escravagista que tem.

BHC: O que o público de BH pode esperar da peça?
Nathália: É uma peça que eu gosto muito porque é crítica, toca em pontos importantes, mas ao mesmo tempo é leve, uma comédia pra todas as idades, pra família inteira, que te faz refletir na leveza, no amor e no humor. Acho que as pessoas podem esperar diversão, um momento sublime com a sua família e uma leve reflexão com os dias de hoje. Que a gente possa fazer com que, tanto as relações trabalhistas quanto as humanas, sejam mais respeitadas e valorizadas.

Os ingressos custam R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia) e podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro ou no site www.eventim.com.br.


Anote!

Data: 24 e 25 de novembro, sábado e domingo
Horário: 20h
Local: Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube (rua da Bahia 2.244 – Lourdes)
Classificação: 12 anos
Ingressos: R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia)
Horário de funcionamento da bilheteria: de segunda a sábado, das 12h às 20h, e domingo, das 12h às 19h
Mais informações: (31) 3516-1360

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