MAIS UMA AULA DA ORQUESTRA MINEIRA DE ROCK

MAIS UMA AULA DA ORQUESTRA MINEIRA DE ROCK

Supergrupo prestou uma série de homenagens e destilou clássicos no KM de Vantagens Hall
Angulos Foto

*Por Thiago Prata

Próximo das 22h, da última sexta-feira (22/3), ainda se via fãs de rock chegando ao KM de Vantagens Hall. Paulatinamente, esses devotos aficionados do estilo ocupavam, cada um à sua maneira, um cantinho das dependências da casa de shows. Muitos falavam alto, erguendo seus copos de cerveja; outros, aproveitavam a deixa para “aquecer” seus celulares com algumas selfies entre amigos; e havia aqueles que preferiam o silêncio – calmaria esta que logo seria quebrada e originaria sucessivas “catarses musicais”. Eis que, às 22h20, a maior parte dessa legião parecia estar hipnotizada com os sons vindos do palco.

Portando, respectivamente, duduk e esraj – instrumentos armenos e indianos  -, Renato Savassi e Khadhu Capanema pareciam dois “encantadores de serpente”. Impressionava, não apenas a sincronia da dupla, como também o efeito causado no público, que não desgrudava olhos e ouvidos do “altar”. Era a deixa para as cortinas se abrirem e os demais membros da Orquestra Mineira de Rock – formada por cinco integrantes do Cálix, quatro do Cartoon e quatro do Somba – causarem frisson com “Kashmir”, hino imortalizado pelo Led Zeppelin no disco “Physical Graffiti” (1975).

Um cartão de visitas e tanto, que, provavelmente, encheu – e até marejou – os olhos, tanto daqueles que assistiam a orquestra pela primeira vez, quanto aos fãs de longa data. No melhor estilo “a noite é uma criança”, o supergrupo viria a destilar um petardo atrás do outro. A começar por “Dança com Devas”, do álbum “Canções de Beurin” (2001), debute do Cálix. E, sejamos sinceros, já virou um clássico da Orquestra Mineira de Rock, tamanha perfeição em sua execução e seu feeling.

CLUBE DA ESQUINA

Era hora de tomar um fôlego, certo? Errado! Chegava o momento de um tributo a uma das maiores instituições da história da música mineira: o Clube da Esquina. O medley de músicas criadas pela trupe encabeçada por Milton Nascimento e Lô Borges foi reverenciado pelos presentes. Homenagem justa e digna a todos aqueles que ajudaram a forjar pérolas como “Clube da Esquina” (1972) e “Clube da Esquina II” (1978).

MAIS HOMENAGENS

Angulos Foto

Esse início de concerto já seria o suficiente para aquela expressão clichê “já valeu o ingresso”. Só que tal sentimento voltou a se repetir várias vezes ao longo do concerto, como em versões para as magistrais “With a Little Help From My Friends”, do disco homônimo de 1969, de Joe Cocker, e “I’ve Seen All Good People”, oriundo do “The Yes Album” (1971), do Yes.

O repertório autoral de Somba e Cartoon, obviamente, não foi esquecido. Ainda bem! “Kem Soul”, do disco “Homônimo” (2014), brindou os fãs de carteirinha da primeira banda; já “Duendes”, levou uma boa dose de nostalgia – e festa – aos inveterados fãs old school do Cartoon, que, neste ano, verá seu trabalho de estreia, intitulado “Martelo”, completar duas décadas.

“Helplessly Hoping”, de Crosby, Stills & Nash (1969), “Ventos de Outono”, do Cálix, e “Brother Richard”, do Cartoon, foram outras canções celebradas. E se no começo do concerto houve um tributo ao Clube da Esquina, a metade do show abriu espaço para o “Clube da Esquina dos Aflitos”. Quem conhece bem o Somba, sabe que este é o nome do disco lançado em 2003, representado pela faixa “Velório”.

“FOLIA” DO REI

Depois Khadhu Capanema usou o microfone para anunciar um “Duelo de Elvis”, o que se viu – e ouviu – foi um momento de êxtase musical. Cortesias dos tecladistas Raphael Rocha (Cartoon) e Rufino Silvério (Cálix); gladiadores, cujas armas eram seus teclados e suas vozes, entoando e tocando trechos de clássicos de Elvis Presley.

O ápice dessa batalha se deu com “Suspicious Mind”, com a presença do restante da orquestra. O vencedor do duelo: com certeza foi o público, que ovacionou os 13 músicos, em especial a dupla dos teclados.

Confira:

(O vídeo foi recebido no grupo de whatsapp da OMR. Se você for o autor, conta pra gente que colocamos o crédito aqui)

MAMA, HORA DA RAPSÓDIA

Uma versão para a 5ª Sinfonia de Beethoven e outras músicas, como “Lord of Ages”, da quinta bolacha do Cartoon, “V” (2017), funcionaram como “porta de entrada” para mais uma canção que se tornou obrigatória no repertório dos 13 roqueiros: “Bohemian Rhapsody”, do Queen – presente no álbum “A Night at the Opera” (1975) e que voltou a ganhar os holofotes com o filme “Bohemian Rhapsody”, vencedor de quatro estatuetas do Oscar 2019.

A versão da orquestra para esse tema beira à perfeição. O destaque fica por conta dos vocais de Khadhu e dos belíssimos coros – mostrando que a Orquestra é também um grandioso “Coral de Rock”.

BH, A LIVERPOOL BRASILEIRA

No bis, um medley dos Beatles fechou com chave de ouro uma apresentação de gala – incluindo aí “Golden Slumbers”, “Carry That Weight” e “The End”. Uma pequena – mas impressionante – amostra dos próximos passos da Orquestra Mineira de Rock.

Isso porque, no próximo dia 4 de agosto, a orquestra volta ao Palácio das Artes para um concerto focado nos clássicos do quarteto de Liverpool. Os detalhes de venda de ingressos ainda serão anunciados pelo supergrupo.

A Orquestra Mineira de Rock é formada por Khadhu Capanema, Khykho Garcia, Raphael Rocha e Bhydhu Capanema (membros do Cartoon), Renato Savassi, Sânzio Brandão, Rufino Silvério, Marcelo Cioglia e André Godoy (Cálix), e Guilherme Castro, Avelar Jr., André Mola e Léo Dias (Somba).

Veja algumas fotos dessa noite memorável
(Crédito: Angulos Foto)

*jornalista escreveu especialmente para o BH Cult sobre o show da OMR

Categorias
Música
Comente pelo Facebook

RELACIONADOS POR