ISABELA MORAIS APRESENTA "DE COISAS QUE APRENDI COM ELIS"

ISABELA MORAIS APRESENTA “DE COISAS QUE APRENDI COM ELIS” EM BH

Espetáculo traz arranjos originais, inéditos de grandes sucessos de uma das maiores cantoras da música brasileira de todos os tempos
Crédito: Vanusa Campos

Na sexta, 20 de julho, o Cine Theatro Brasil Vollourec recebe “De Coisas que Aprendi com Elis”, show com a cantora Isabela Morais, revisitando o repertório de Elis Regina num olhar apaixonado sobre o legado da artista gaúcha. O espetáculo transita entre diferentes fases de uma das maiores intérpretes do mundo, desfilando canções de Tom Jobim, Chico Buarque, João Bosco, Ivan Lins, Belchior, dentre outros.

À frente da desafiadora tarefa de homenageá-la está Isabela Morais, cantora com expressiva trajetória nos grupos Marginália e Ummagumma (tributo de Pink Floyd que arrasta multidões há mais de uma década), ambos de Três Pontas, cidade natal da artista de 30 anos.

Conversamos com a cantora sobre o espetáculo e os desafios de homenagear alguém como Elis.

Crédito: Vanusa Campos

BHCult: Como surgiu a ideia de criar o espetáculo?
Isabela Morais: Em 2014, quando ainda morava São Paulo, apresentei alguns shows em homenagens a Elis em casas de jazz. De volta a Três Pontas, minha terra natal, sedenta por retomar um projeto mais voltado pra MPB, entrei em contato com o pianista Clayton Prosperi, com quem há muito desejava trabalhar e levei a proposta de retomar o tributo. Elis é uma importante referência pra mim e muitas das canções que conheci na sua interpretação moldaram a minha visão de mundo. Daí o título do espetáculo.

 

BHC: Quais os maiores desafios em se interpretar e contar a história de alguém como a Elis?
Isabela: Elis sempre combinou excelência musical técnica com altas doses de entrega e emoção. Levar para o palco toda essa intensidade que ela trazia de forma visceral é um grande desafio, ainda mais por se tratarem de músicas sofisticadas que, por si só, já são difíceis de executar. Aliás, a seleção de canções para compor o repertório é outra dificuldade, já que ela deixou marcadas na história da música e o imaginário dos fãs muitas e muitas canções. Sempre vai faltar “aquela”, rs.

BHC: Você diz que ela é uma de suas grandes influências. Como é isso?
Isabela: Ela foi uma das primeiras cantoras com quem tive contato, ainda na infância. Ouvia os CDs da minha mãe e criei, assim, uma crença de que só se cantava “daquela” forma. Virou a minha referência de interpretação, intensidade, emoção… Ouvi-la chorar ao cantar… Mesmo depois de conhecer outros grandes nomes – que sem dúvida ampliaram também minha percepção e formação como intérprete -, a verdade que Elis levou para o palco, sua expressividade e ousadia são aprendizados que levo comigo.

BHC: Muitas pessoas dizem que, até hoje, nunca surgiu ninguém como a Elis, que ela era uma “força da natureza”… Na sua opinião, o que a torna tão marcante e inesquecível?
Isabela: Elis era uma grande intérprete e uma mulher complexa, de força e fragilidade, de vigor e opiniões fortes, e, sobretudo, determinada a cantar –  sua grande paixão. De fato, parece que ela nasceu para cantar. Uma mulher que viveu também num momento do país em que era possível ter na cena da grande mídia uma intérprete daquela magnitude com um repertório como aquele. A obra de Elis atravessa o tempo por sua carga de emoção e técnica, mas Elis é também uma mulher de seu tempo, em suas singulares contradições e desafios, e soube muito bem traduzi-los.

BHC: O que o público pode esperar o espetáculo?
Isabela: Tenho o privilégio de contar com um trio de grandes músicos, o pianista, arranjador e compositor, Clayton Prosperi, o baterista Bruno Vieira e o baixista e arranjador, Dedê Bonitto. Logo, teremos uma execução musical prazerosa, com técnica e elegância. O público vai poder ouvir canções que passam por diferentes fases de Elis Regina, sendo apresentadas com muito respeito, admiração e emoção, num cenário inspirado na iconografia dos álbuns da nossa amada e inesquecível Elis.

O cenário do trabalho tem como referência o álbum “Elis, essa mulher” (1979), que trouxe composições como “O Bêbado e a Equilibrista” (João Bosco e Aldir Blanc) e “Bolero de Satã” (Guinga e Paulo César Pinheiro), ambas presentes no show.

Crédito: Vanusa Campos

O espetáculo, no entanto, abrange diversas fases da artista, a despeito da impossibilidade de esgotar suas múltiplas nuances, mas sempre expondo o caminho percorrido por Elis de revelar novos compositores (como Renato Teixeira) ao mesmo tempo em que revisitava temas do passado (como “Na Batucada da Vida”, de Ary Barroso) e de artistas contemporâneos a ela, como Rita Lee e Milton Nascimento – que conta no show com performances de “Saudades dos aviões da Pan Air” e “Caxangá”.

Permeado por falas de Isabela Morais sobre artistas recorrentemente gravados por Elis, como Chico Buarque e Tom Jobim, o show preserva os arranjos e mesmo a interpretação personalíssima trazida em gravações como “Construção” e “Canto de Ossanha”.

Por outro lado, traz frescor em interpretações próprias do grupo para temas como “Arrastão”. A poesia e a palavra evocada, viés valorizado por Isabela Morais em suas apresentações, também aparece com a leitura de texto escrito por Fernando Faro sobre Elis Regina, presente na contracapa de “Trem Azul” (1982): “Um rascunho / uma forma nebulosa feita de luz e sombra como uma estrela / Agora eu sou uma estrela.”

Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada), à venda na bilheteria do teatro e pelo site Eventim.

Anote!

“De coisas que aprendi com Elis” – Isabela Morais
Data: 20 de julho, sexta-feira
Horário: 21h
Local: Grande Teatro do Cine Theatro Brasil Vollourec (Praça Sete – Centro)
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)
Vendas: no local ou pelo site Eventim
Classificação: livre (Menores de 12 anos podem entrar acompanhados dos pais e/ou responsáveis legais, com apresentação de identidade de ambos)
Facebook: De Coisas Que Aprendi com Elis
Instagram: @aprendicomelis

Categorias
Música
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