HEBE CAMARGO: UMA ESTRELA DO INÍCIO AO FIM

HEBE CAMARGO: UMA ESTRELA DO INÍCIO AO FIM

Finalmente assisti ao filme sobre a vida e a carreira da maior apresentadora da TV brasileira
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Sei que estou um pouco atrasada, já que o filme “Hebe: a Estrela do Brasil” foi lançado há quase um ano, mas só agora, quando entrou para o catálago da Globoplay como série, é que tive a oportunidade de assistí-lo. E antes de falar sobre o que eu vi, gostaria de deixar claro que não sou, nem tenho pretensão nenhuma em ser crítica de cinema nem nada parecido. O que vou contar aqui é sobre as emoções e sensações que me causou.

Vídeo Show

Infelizmente terei que começar com um grande clichê: Hebe Camargo foi uma mulher anos luz – mas bota anos luz nisso – há frente do seu tempo. Começou a trabalhar na década de 40, aos 14, como empregada na casa de uma prima da mãe (onde era humilhada constantemente). Depois conseguiu se tornar cantora de rádio, sustentando toda a família: os pais – Esther e Sigesfredo, além dos seis irmãos – era a mais nova deles.

Esse foi o start para a carreira brilhante que ela teria daí em diante, recebendo por muitos anos os prêmios de melhor cantora de rádio e melhor apresentadora de TV. Desde sempre carregava, talvez, sua principal característica: a sinceridade. Ela SEMPRE dizia o que pensava! Doa a quem doer, inclusive a ditadura, que a fez abandonar o programa que apresentava por estar sofrendo retaliações dos milicos. Ela preferiu ficar fora da TV do que se render ao que os militares queriam. Isso em 1950, gente? Um baita dum gesto de coragem e confiança no próprio taco.

Aliás, isso era uma característica que me chamava muito atenção nela: num baixava sua guarda para ninguém, não se deixava humilhar, ser rebaixada, sabia se colocar. Agora, quando o assunto era amor… Ela se perdia, como acontece com muitas mulheres, na verdade.

Em todos os relacionamentos – Luiz Ramos, Décio Capuano e Lélio Ravagnan (com quem ficou por 29 anos) – ela sofreu abusos psicológicos, foi maltradada, em algumas vezes agredida e só saia dessas situações quando chegava no limite. Com Décio, por exemplo, quase 30 anos de muitas brigas, ameaças, perseguições. Acho que ela acreditava que uma hora daria certo…

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Uma mulher tão linda, tão inteligente – apesar de não ter estudos, como ela mesmo dizia – tão dona de si e independente, baixava totalmente a guarda quando o assunto era amor. #QuemNunca né? Eu mesma já vivi um namoro abusivo e custei a enxergar a situação.

Ela dizia que seu grande amor era Roberto Carlos… Os dois tinham mesmo uma relação muito linda!

Outra coisa que me chamou atenção foi a amizade entre Hebe e seu pai. Os dois eram inseparáveis, confidentes, parceiros e conversavam sobre tudo, inclusive sobre sexo. Imagine, um pai da década de 40, geralmente aquele tipo machista, fechado… Mas, Hebe deu essa sorte! E a relação deles era emocionante!

É engraçado como a gente tem uma primeira impressão sobre tudo né…  Quando vi no trailler a Andrea Beltrão no papel principal, pensei: “Nossa, por que escolheram ela”? Agora, depois de assistir a tudo, acho que ela interpretou lindamente esse papel tão majestoso.

A Hebe foi uma revolução! Ela defendia – há 70 anos – temas como feminismo, transsexualismo e homossexualismo. Levantava bandeiras quando essas classes eram grotescamente humilhadas e vistas como doentes. Mantinha relações próximas com fãs fiéis, que a acompanharam durante toda a carreira, sabendo detalhes da vida.

Quando participou do Roda Viva, admitiu publicamente ter feito um aborto, defendeu a atitude e disse que era uma escolha pessoal, que as mulheres deveriam ter liberdade para decidir fazer ou não. Assista:

Criou o filho para ele ser quem quiser, do jeito que quiser, sem se importar com os outros. Era excêntrica, gostava de brilho, era bem humorada, adorava uma “cervejota”…

Em casa, tinha vários bichos de estimação, incluindo galinhas e pássaros.  Ela disse uma vez na Gabi que “animais são melhores que gente porque eles não tem bolso, não pedem nada”. (O que concordo plenamente!)

Morreu devido a uma parada respiratória durante o sono, mas já estava bem debilitada devido a um câncer raro no peritônio.  Dizia que não tinha medo de morrer, mas que tinha “pena”, porque amava a vida.

Reprodução You Tube

Curiosidades
Separamos alguns fatos sobre a vida e a carreira da apresentadora:

Naturalmente morena
Apesar das madeixas loiras serem uma marca registrada, ela, na verdade, nasceu com o cabelo castanho, tom que manteve por muito tempo durante a juventude.

Prodiígio
Hebe iniciou sua carreira no mundo do entretenimento muito nova. Com apenas doze anos, ela se apresentava vestida de Carmen Miranda em programas de calouros. Participou do grupo “Dó-Ré-Mi-Fá” e, posteriormente, formou uma dupla com sua irmã, Stela, chamada de “Rosalinda e Florisbela”. Aos 15, já se apresentava com cantora em boates e, aos dezesseis, gravou o seu primeiro disco. Graças as canções “Oh! José” e “Quem Foi Que Disse”, ela passou a ser conhecida como “a moreninha do samba”.

Início da TV
Participou do lançamento da primeira emissora de televisão brasileira, a TV Tupi, em 1950, ao lado do fundador, Assis Chateaubriand.

1º Programa para as Mulheres
Comandou “O Mundo é das Mulheres”, na TV Paulista, concorrente da Tupi, primeira produção voltada para o público feminino no Brasil, em que a Hebe já discutia questões como o papel das mulheres na sociedade.

Fortuna
Hebe foi uma das apresentadoras mais ricas durante a época em atuou na TV. Só no SBT, recebia por mês 1,5 milhão de reais. Sua mansão (mantida até hoje no bairro do Morumbi, em São Paulo) é avaliada em 45 milhões – e reúne todos as joias, objetos e decoração extravagante que a apresentadora gostava de ter.

Polêmica
Em seu programa no SBT, em 1994, ela sugeriu o fechamento do Congresso, em março do mesmo ano, Inocêncio Oliveira até então presidente da Câmara dos Deputados e Humberto Lucena presidente do Senado, processaram a apresentadora criminalmente. Acabaram, depois, retirando o processo.

Homenagens
Além do filme, a estrela também recebeu outras homenagens:
– Hebe – O Musical – peça de teatro dirigida por Miguel Falabella e protagonizada por Débora Reis.
– Hebe Eterna (2019) – exposição no Farol Santander, em São Paulo.[50] Mostra imersiva e interativa, recorda a carreira da cantora e apresentadora que marcou a história da televisão brasileira.
– Depois que morreu, seu nome foi dado oficialmente a duas avenidas. Uma na Vila Andrade, Zona Sul de São Paulo e a outra na cidade de Mogi das Cruzes.

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