FERNANDA TAKAI LANÇA “SERÁ QUE VOCÊ VAI ACREDITAR?”dI

FERNANDA TAKAI LANÇA “SERÁ QUE VOCÊ VAI ACREDITAR?”

Disco foi criado e gravado no estúdio que a cantora mantém em casa, com o marido John Ulhoa
Dudi Polonis

Fernanda Takai, em parceria com o marido, músico e produtor John Ulhoa, acaba de lançar seu mais recente álbum, “Será que você não vai acreditar?”, criado e gravado em BH, no estúdio que eles têm em casa. Todos os instrumentos usados no disco foram tocados por John, um retrato da quarentena.

A capa tem projeto gráfico executado pela Hardy Design com ilustrações do artista plástico Renato Larini. A ideia é nos fazer sentir pertencentes a esses tempos, a essa época, com reflexões e belezas na voz de Fernanda Takai, que soa como um momento de paz.

Músicas

A faixa de abertura, “Terra Plana”, foi escrita por John. “Escrevi a música pensando em nossa filha, imaginando se estamos dando a ela as ferramentas que precisa para ter a coragem que a vida pede e a sabedoria para se esquivar do obscurantismo que anda nos assolando. É sobre pais envelhecendo e desejando ter acertado na educação dos filhos, para um dia poderem se despedir em paz”, contou John.

Outra inspirada pela paternidade é “Não Esqueça”, de Nico Nicolaiewsky (1957/2014). Fernanda e John eram amigos do artista — que fez parte do conhecido espetáculo “Tangos & Tragédias” — e ainda têm se envolvido em eventos que buscam manter viva a obra do amigo gaúcho. A canção é um recado amoroso muito atual e, apesar de escrita há muitos anos, nunca foi oficialmente registrada por Nico.

“Não Creio em Mais Nada” (Totó), sucesso na voz de Paulo Sérgio gravado em 1970, ganha uma versão criativa com uso de texturas vocais e sintetizadores. Takai traz frescor à balada, que aborda o desânimo e descrença pelos motivos dos mais diversos.

Em “O Amor em Tempos de Cólera” (Fernanda Takai/ Virginie Boutaud) ela divide os vocais com Virginie, que foi vocalista da banda Metrô, que fez muito sucesso nos anos 80. “Pensamos nessa canção como um carinho, um momento de aconchego em tempos tão difíceis. Virginie é sempre muito delicada em tudo que faz e adorei nossas vozes juntas. Ela lá em Toulouse e eu aqui em Belo Horizonte estamos mais perto do que nunca!”, comentou Takai.

Quem também participa do disco é Maki Nomiya, conhecida por integrar o duo Pizzicato Five. Ela é coautora e canta com Takai a canção “Love Song”. “Ter a Maki comigo neste disco celebra mais uma vez nossa amizade musical, além da relação entre Brasil e Japão. Fizemos essa música sobre um amor que está distante, do outro lado do mundo, mas que sobrevive a todas as dificuldades”, diz.

Há ainda uma música de Fernanda Takai com letra de Climério Ferreira, “O que Ninguém Diz”, e duas regravações inusitadas: “One Day in Your Life” (Renée Armand/ Samuel F. Brown III), sucesso de Michael Jackson e “Love is a Losing Game” (Amy Winehouse), que ganham novas cores sob o olhar de Fernanda Takai. Ela assina “Who Are You?”, cantada em inglês num clima soturno e ainda canta mais uma do John, “Corações Vazios”.

Conversamos com a cantora sobre o novo trabalho e sobre fazer música em tempos de pandemia. Confira:

BH Cult: Como foi gravar um disco e lançá-lo em meio a uma pandemia? Quais os maiores obstáculos?
Fernanda Takai: Como temos estúdio em casa e John toca todos os instrumentos, tivemos essa autonomia em mãos para nos manter produtivos e usar o tempo – que agora sobrava – como aliado. Não havia pressa, nosso único objetivo era trabalhar as canções todos os dias e foi até terapêutico. Nos meus últimos trabalhos tinha convidado muita gente pra gravar comigo, é bom ter a presença de outras pessoas por aqui, mas resolvemos manter o foco numa versão bem compacta apenas entre nós dois. As pessoas recorrem muito à arte em tempos difíceis seja para reflexão ou diversão, me sinto bem em poder oferecer isso a elas.

BHC: Porque decidiu lançá-lo mesmo nesse período de quarentena?
Fernanda: O disco estava programado pro segundo semestre, apenas adiantamos um pouco o cronograma. Não há a menor previsão para a retomada presencial de eventos e acho que as canções de alguma forma se conectaram com os sentimentos de agora, embora a maior parte do repertório tenha sido escolhido antes do confinamento. Para mim não fazia sentido deixar o disco guardado para um momento mais feliz. Quis dividí-lo logo com o mundo.

BHC: Sobre o disco, como você descreveria?
Fernanda: Um álbum cheio de canções pop emocionantes que mostra mais uma vez o meu lado de ouvinte e também de fazedora de música. Desde que comecei minha carreira solo, sempre gosto de trazer um pouco do que me representa: alguém que se nutre de outras vozes. Mas também há faixas autorais na companhia de artistas com os quais tenho uma real ligação de afeto.

Fabiana Figueiredo

BHC: O que as pessoas podem esperar dele?
Fernanda: Agora é a hora de cada um o receber de acordo com sua própria experiência e sentimento. Quando o álbum sai pro mundo, a história dele é construída um pouquinho por todos. Sempre vai ter aquela faixa preferida, a que te faz chorar ou experimentar uma memória de uma fase da vida. Acho que organizei uma coleção de canções em sintonia com a pessoa que sou hoje, sem me esquecer de minha história.

BHC: Como você vê o futuro da música, do mercado de entretenimento a partir da pandemia?
Fernanda: Sempre daremos um jeito de continuar existindo, fazendo a nossa arte. Acontece que num país como o Brasil, completamente à deriva, será ainda mais complexo. Serão muitas as dificuldades e vamos descobrir com o tempo se o terreno está firme o suficiente para ser novamente usado. O certo é que as pessoas tem que estar em segurança tanto para assistir quanto para realizar os espetáculos. Precisamos ter paciência e exercitar mais a solidariedade.

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