DOGVILLE, DE LARS VON TRIER, INICIA TEMPORADA NO CCBBBH

DOGVILLE, DE LARS VON TRIER, INICIA TEMPORADA NO CCBBBH

Peça tem direção de Zé Henrique de Paula
Crédito Renato Mangolin

Até 23 de dezembro, os mineiros vão poder assistir à a primeira adaptação teatral brasileira para Dogville, do cineasta dinamarquês Lars Von Trier. A peça estreia dia 28 de novembro.

Com apresentações de quinta a segunda no CCBB BH, o espetáculo traz no elenco Mel Lisboa, Ana Andreatta, Andre Satuf, Alexia Dechamps, Blota Filho, Eric Lenate, Fernanda Couto, Fernanda Thurann, Gustavo Trestini, Lucas Romano, Marcia de Oliveira, Marcelo Villas Boas, Munir Pedrosa, Otto Jr., Rodrigo Caetano e Rosana Penna.

Crédito Renato Mangolin

História

A trama se passa na fictícia cidade de Dogville, situada no topo de uma cadeia montanhosa, ao fim de uma estrada sem saída, onde residem poucas famílias formadas por pessoas aparentemente bondosas e acolhedoras, embora vivam em precárias condições de vida.

A pacata rotina dos moradores do vilarejo é abalada pela chegada inesperada de Grace (Mel Lisboa), uma forasteira misteriosa que procura abrigo para se esconder de gangsteres.

Recebida por Tom Edison Jr. que, comovido pela sua situação, convence os outros moradores a acolhe-la na cidade, Grace, apesar de afirmar nunca ter trabalhado na vida, decide oferecer seus serviços para as famílias de Dogville em agradecimento pela sua generosidade.

Porém, no decorrer da trama, um jogo perverso se instaura entre os moradores da cidade e a bela forasteira: quanto mais ela se doa e expõe a sua fragilidade e a sua bondade, mais os cidadãos de bem exigem e abusam dela, levando a situação a extremos inimagináveis.

Crédito Renato Mangolin

Crítica

A obra critica o mundo contemporâneo e a sociedade de consumo por meio de uma radiografia precisa da alma humana. “São situações reais e muito próximas de nós, que colocam uma lente de aumento na alma do ser humano. É como se não acreditássemos que aquelas pessoas fossem capazes de explorar essa mulher de forma tão cruel. Discute questões muito atuais como xenofobia, intolerância e põe em xeque a máxima do sistema capitalista onde, para se obter lucros exorbitantes, é preciso explorar ao máximo o outro, por vezes de formas desumanas”, revela o produtor e idealizador da peça Felipe Lima.

Ainda segundo ele, o filme fala sobre os limites humanos: “Em tempos de intolerância, de exploração é necessário mostrar que, embora o ser humano tenha uma tendência a agir de modo abusivo em determinadas situações, é preciso impor limites. Nem tudo é aceitável, muito menos tolerável. É preciso exercitar a empatia, olhar com atenção para o outro. E que até a bondade excessiva e a resignação podem ser manifestações de arrogância, de paternalismo. Até que ponto você tem que perdoar no outro atitudes e comportamentos pelos quais se puniria?”, explica.

Para o diretor Zé Henrique de Paula, é desafiador transformar o filme de Lars Von Trier em uma peça porque a obra já evoca essa estrutura teatral. “Acho que o filme é uma referência muito forte, é icônico e sinônimo de Lars Von Trier e daquela linguagem mais teatral. Adotamos o caminho inverso: na peça flertamos com a linguagem cinematográfica, utilizando não somente projeções e videomapping, mas também cenas filmadas ao vivo durante o espetáculo. Como se não bastasse, ainda há os desafios da própria narrativa – o caminho rumo à nossa sombra, nosso lado escuro, nossos sentimentos mais negativos e mesquinhos. Trabalhar isso com os atores envolve muita energia e desprendimento por parte de todo o elenco e equipe”, revela. 

Anote!

Dogville
Data: de 28 de novembro a 23 de dezembro, quinta a segunda
Horário: 20h
Local: Teatro I – CCBB BH
Praça da Liberdade, 450 – Funcionários
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia entrada)
Vends: bilheteria do teatro ou
www.eventim.com.br
Duração: 120 minutos
Classificação: 16 anos
Mais informações: (31) 3431-9400 / 3431-9503

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