DOCUMENTÁRIO CONTA HISTÓRIAS SOBRE OS TRAPALHÕES

DOCUMENTÁRIO CONTA HISTÓRIAS SOBRE OS TRAPALHÕES

Filme traz depoimentos de quem trabalhou com os humoristas

Uma das séries de maior sucesso da TV, “Os Trapalhões” vai ganhar um documentário: o “Trapalhadas Sem Fim”, dirigido por Rafael Spaca. O filme promete abordar temas sobre os bastidores que até hoje nunca foram revelados publicamente.

A obra ainda não tem previsão de estreia, mas já tem dado o que falar. O documentário toca em temas que até hoje geram especulação, como a divisão dos lucros entre os quatro integrantes, se é verdade que Renato Aragão não gosta de ser chamado de “Didi” entre outros.

Ao todo, foram entrevistadas cerca de 60 pessoas, totalizando 70 horas de filmagens. Nomes como Caetano Veloso, Angélica, Fagner, Tom Cavalcante, Tony Ramos e Regina Duarte são alguns artistas que fazem parte do documentário. Além disso, a camareira do grupo, um dos ex-empresários e até o gerente da conta bancária da DeMuza – produtora de Dedé, Mussum e Zacarias -, gravaram depoimentos exclusivos contando histórias até hoje nunca reveladas.

O documentário vai virar série de TV, com um corte de cinco capítulos com aproximadamente uma hora cada. Conversamos com o diretor Rafael Spaca sobre o filme:

BHCult: Porque fazer um doc sobre os Trapalhões? Como surgiu a ideia?
Rafael Spaca: Tenho uma pesquisa de aproximadamente de oito anos relacionada aos Trapalhões. Nesse transcurso, lancei dois livros: “O Cinema dos Trapalhões, por quem fez e por quem viu” (2016, Editora Laços); e “As HQs dos Trapalhões” (2017, Editora Estronho). Uma produtora sugeriu levar minha pesquisa para o audiovisual, onde o alcance é muito maior. Assim, comecei a filmar por conta própria.

BHC: Qual o viés que usaram para contar a história?
Rafael: O documentário é uma obra aberta. Acreditamos que teria um rumo e acabou ganhando outros contornos. Tem de tudo nele, todas as contradições.

BHC: Como vocês selecionaram as pessoas que deram depoimentos? Qual o critério?
Rafael: O critério foi ter participado ativamente de algum momento da história do grupo, seja qual área for (quadrinhos, cinema, televisão, bastidores, etc.). Não entrevistamos nenhum parente, só profissionais que trabalharam diretamente com o grupo, testemunhas oculares da história. Somado a isso, entrevistamos jornalistas e acadêmicos para costurar essas lembranças e histórias.

BHC: O doc toca em alguns pontos polêmicos. Como foi isso? Qual o cuidado que tiveram nesse sentido?
Rafael: As polêmicas vieram até nós, não fomos até elas. Essas histórias mais sensíveis nos foram contadas de forma espontânea, quase como um desabafo. O distanciamento histórico permitiu um maior relaxamento das pessoas e essas lembranças, boas e/ou ruins, foram fluindo.

BHC: Vocês dizem que “a Globo jamais exibiria esse documentário”. Por que?
Rafael: A TV Globo tem uma política, e está certa, de supervalorizar seu produto, seu patrimônio e a sua história. E a história que iremos contar dos Trapalhões mostrará todas as nuances do grupo, boas e ruins. Adoraria “queimar a língua”, mas acredito que eles não iriam querer exibir alguns “esqueletos” que estão no armário há tanto tempo e que só agora serão revelados.

BHC: Qual a importância dos Trapalhões para o humor brasileiro, na sua opinião?
Rafael:
Foram o maior grupo de humor do mundo. Não há equivalência em nenhum lugar. Eles ficaram décadas fazendo sucesso, não só na televisão, mas no cinema também, nos quadrinhos, etc. Formaram gerações, estão na memória afetiva de milhões de pessoas, criaram um tipo de humor com identificação direta com o povo brasileiro, com todas as camadas sociais. Além deles, quem conseguiu fazer isso?

BHC: O que as pessoas podem esperar do doc?
Rafael: Alegria, tristeza, espanto, encanto, dor e delícia.

Sobre Os Trapalhões
Os Trapalhões foi um programa humorístico brasileiro, criado por Wilton Franco e estrelado por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, que estreou em 1975 na Rede Tupi.

Em 13 de março de 1977 foram para a Rede Globo, sendo exibido aos domingos, antes do Fantástico. Um dos maiores fenômenos de popularidade e audiência no Brasil em toda a história, Os Trapalhões entrou para o Livro Guinness de Recordes Mundiais como o programa humorístico de maior duração da televisão, com trinta anos de exibição.

O primeiro filme lançado, Na Onda do Iê-Iê-Iê (1966), contava apenas com a dupla Didi e Dedé. Com o quarteto clássico, foram produzidos vinte e um filmes, começando com Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (1978) até Uma Escola Atrapalhada (1990). Mais de cento e vinte milhões de pessoas já assistiram Os Trapalhões no cinema, sendo que sete destes filmes estão na lista das dez maiores bilheterias do Brasil.

FICHA TÉCNICA
“Trapalhadas Sem Fim”
Gênero: Documentário
Direção e roteiro: Rafael Spaca
Direção de fotografia: Alex Costa
Roteirista: Vanderlei Aureliano Buendía
Produção: Gabriel Gontijo
Instagram: Trapa Doc

 

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