CINEMA: ASSISTIMOS "MIDSOMMAR: O MAL NÃO ESPERA A NOITE”

CINEMA: ASSISTIMOS “MIDSOMMAR: O MAL NÃO ESPERA A NOITE”

Por Thiago Prata, repórter especial

Considerado uma das grandes sensações do momento em Hollywood, o diretor Ari Aster causou certo impacto com “Hereditário” (2018). Um ano depois, ele retorna com mais um longa-metragem elogiado pela crítica. “Midsommar: O Mal Não Espera a Noite” é vendido como filme de terror – ou seja, o mesmo gênero de sua obra anterior –, algo que o próprio realizador descarta. Segundo Aster, trata-se de um “conto de fadas adulto”, como declarou recentemente a vários veículos de imprensa, guiado por costumes e lendas europeias. “Midsommar” estreia nesta quinta-feira (19) nas salas brasileiras.

O filme traz em seu início uma tragédia vivida pela jovem Dani (Florence Pugh), que, além de ter que lidar com perdas na família, vive um relacionamento desgastado com Christian (Florence Pugh). Preste bem atenção no começo da obra e o quanto os fatos reverberam na tela, tanto na questão emocional e dos problemas vividos por Dani, quanto nas relações do casal e de Christian e seus amigos. Haverá algumas conexões e rimas visuais ao longo das 2h20min do filme. Curiosidade: a película surgiu após o fim de um relacionamento envolvendo seu diretor.

De um ambiente escuro, traumático e instável nos Estados Unidos, o casal e os amigos viajam para uma vila sueca, num ambiente claro, onde o sol predomina no dia (e na noite), aparentemente hospitaleiro e tranquilo. O intuito do grupo: iniciar uma pesquisa antropológica – no caso, Dani vai de “penetra”, uma vez que a viagem estava marcada apenas por Christian e seus comparsas, incluindo um amigo sueco, que sugere a tal visita às suas terras. A partir daí começa uma série de fatos movidos pela tradição da vida e da morte no vilarejo e que, aos olhos de forasteiros, soa de forma grotesca e doentia.

A chegada dos americanos (e também de um casal de ingleses) inicia uma série de críticas e reflexões, incluindo temas como intolerância religiosa e/ou cultural, as relações humanas, feminismo, entre outros. A questão do feminismo, por sinal, se torna bastante recorrente, inclusive durante os vários rituais no período do solstício de verão. Sobretudo na figura de Dani, embora também esteja inserida em outras personagens – uma das cenas mais emblemáticas nesse sentido está no final, quando a jovem americana lamenta um episódio envolvendo Christian e é “socorrida” por outras mulheres (a cena é brilhante).

O filme coloca uma tensão no ar, prendendo a atenção do espectador durante todo o tempo, mesmo que algumas cenas percam um pouco o fôlego por se estenderem demais (mas aí você entende porque isso aconteceu em acontecimentos posteriores).

De uma forma geral, é um filme muito bem construído, que te deixará “imerso” na história e te fará pensar logo após seu término. Uma das questões que coloco neste texto, além do feminismo, é com relação ao único personagem negro do núcleo de amigos – e do filme. Durante toda a película, os amigos e os habitantes do vilarejo encontram algum jeito de diminuí-lo, por meio de ações e palavras. O mesmo acontece com Dani, menosprezada pelo namorado. Sim, o verdadeiro horror não se faz presente na “estranheza” dos costumes da vila.


Sinopse: 
Após vivenciar uma tragédia pessoal, Dani (Florence Pugh) vai com o namorado Christian (Jack Reynor) e um grupo de amigos até a Suécia para participar de um festival local de verão. Mas, ao invés das férias tranquilas com a qual todos sonhavam, o grupo vai se deparar com rituais bizarros de uma adoração pagã.

Clique aqui para saber em qual sala da Cineart assistir ao filme.

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