BH CULT INDICA: MONOCINE

BH CULT INDICA: MONOCINE

17/06/2016 3 Por admin bhcult

Um dia recebi um inbox do Bernardo Cançado, um dos meus melhores amigos, com a seguinte mensagem: “Amiga, você precisa conhecer essa banda, ouve aí”. Era a Monocine, formada em 2014 pelos músicos Fábio Della (vocal e guitarra), Felipe Brant (baixo), Hamilton Soares (teclados) e Nenel Neto (bateria), e que em 2015 lançou o álbum “Tão deserto quanto eu”. Achei engraçado porque, a primeira vez que você ouve um som novo, sempre causa uma certa estranheza, né? Mas com eles não rolou isso. Só me deu vontade de ouvir a próxima música, e a próxima, e a próxima…

Me chamou atenção como, em tão pouco tempo de estrada (a banda e não os músicos, claro), eles conseguiram criar um som com tanta personalidade. Logo de cara me apaixonei por “O Peso é Leve”, que conta com a participação de um cara que eu admiro muito, uma das vozes mais bonitas que já ouvi: Diego Faria, da Bronnco Billy e os Mangas Coloradas, ex vocal do Balão Vermelho. A música é muito linda ♥
https://soundcloud.com/monocineoficial/o-peso-e-leve

Depois fui ouvindo as outras, e gostando cada vez mais. A partir daí, virei fã! E como a ideia da coluna é indicar novos sons autorais que eu venho ouvindo e curtindo muito, nada mais justo do que incluir a Monocine na BH CULT INDICA. Conversamos com o vocalista, Fábio Della, que nos contou tudo sobre a banda. Radicado em Belo Horizonte há seis anos, Fábio é catarinense e ficou conhecido por seu trabalho à frente do grupo Aerocirco. É ele quem assina as 10 composições do disco “Tão deserto quanto eu”, gravado nos estúdios Mix e Ultra, entre novembro de 2014 e março de 2015.

BH Cult: . Há quanto tempo existe e como surgiu a Monocine?
Fábio Della: A história da Monocine é recente, apesar de nos conhecermos há algum tempo já. Desde a minha mudança para BH em 2010, eu, Nenel e Hamilton passamos a tocar juntos, mas não como Monocine e sim como Fábio Della e os Sardines (carreira solo). Mas, se formos considerar o início da Monocine o lançamento do CD, a banda estaria completando aproximadamente 10 meses, já que lançamos o CD em junho do ano passado. É claro que, antes do lançamento, ficamos quase um ano em estúdio ensaiando e preparando este primeiro CD chamado “Tão deserto quanto eu”.

BHC: Como você descreveria o som que fazem, o estilo da banda?
FD: Eu não tenho medo de me esquivar de um rótulo, pois qualquer rótulo que se ponha pode ser pejorativo ou prepotente, mas tenho certeza que a base é do rock e as vertentes navegam entre o blues, o progressivo sempre com melodias marcantes que existem no rock inglês e letras do cotidiano, bem influenciadas pelos compositores brasileiros como Nando Reis, Cazuza, Renato Russo, entre outros.

BHC: Vocês lançaram o primeiro álbum, “Tão deserto quanto eu”. Fale um pouco sobre esse trabalho.
FD: Este é o primeiro CD da banda e foi lançado em meados de 2015. Tínhamos certeza de uma coisa: queríamos muito fazer um trabalho novo juntos, mas não sabíamos como sairia, pois, até então não tínhamos trabalhado esse lado da criação juntos. Apenas eu tinha histórico de composição, já que vinha de uma banda chamada AEROCIRCO, e tínhamos lançado 4 CDs juntos. Compôr estava me fazendo muita falta, já que o último do Aerocirco foi lançado em 2010. Acabou que juntos -, Hamilton, Felipe, Nenel e eu -, fizemos um CD com 10 músicas, todas compostas por mim, mas com a mão de nós quatro que fez o disco se transformar no que é. No final de tudo, quando o CD foi para o forno, olhamos um para o outro e falamos: “ficou du caralho”. Pode parecer pretensão, mas não é. Simplesmente ficamos felizes demais com o resultado, até por que nunca vi um pai achar seu filho feio, rsrs… De fato, ficamos muito contentes e em seguida saímos para divulgar, fazendo shows e tudo mais. Hoje já estamos compondo e trabalhando músicas novas para um segundo, mas sem nenhuma previsão ainda.

BHC: Tem alguma das músicas deste CD que seja mais marcante ou que a letra tenha algum significado especial pra vc? Se sim, por que?
FD: Tem várias, na verdade cada música tem uma história verdadeira por trás. A mais marcante pra mim neste CD é “Antes Tudo Fosse Assim”, que escrevi para falar sobre uma fase muito triste que minha filha passou quando tinha 1 ano e 11 meses e ficou entre a vida e a morte em uma UTI por 37 dias. A partir dai, minha visão da vida mudou completamente. Somos muito frágeis, apesar de não encararmos dessa forma, e tem que ser assim mesmo… “Antes tudo fosse assim, como se fosse flores num jardim com sol…”

BHC: Como você avalia o cenário autoral em BH? Acha que as pessoas estão mais abertas a conhecer trabalhos novos que antes?
FD: BH é uma cidade enorme, com muitas referência musicais consolidadas e, isso, por si só, valoriza a cena. Muita coisa está sendo produzida, mas pouco divulgada. Percebo uma falta de união entre as bandas para aquecer a cena. Não temos como julgar o público, mas, com certeza, uma cena aquecida traz o público pra perto. Essa responsabilidade é dos artistas e produtores.

BHC: Como você veio de Santa Catarina, que diferenças vê nesse cenário musical de lá e de BH?
FD: Basicamente apenas o tamanho das cidades, pois os problemas e virtudes são semelhantes. Santa Catarina possui inúmeros ótimos músicos, compositores, autores, etc… Porém, poucos com expressão nacional, o que tira o estado do foco. Mas tudo tem seu tempo e a arte é maior que isso. A produção existe e a música é tão bela quanto de todo Brasil, cada região com seu estilo.

BHC: Há alguma novidade vindo por aí?
FD: Por enquanto estamos fazendo shows por BH e pensando no novo disco, que devemos lançar em 2017.

No canal do You Tube, eles lançaram o Monocine Sessions, em que falam um pouco sobre o cd “Tão deserto quanto eu” e tocam algumas músicas. É muito legal!
https://www.youtube.com/watch?v=gLOnAJ4MuCw

A banda também está no Soundcloud: https://soundcloud.com/monocineoficial

E no Spotify: https://play.spotify.com/artist/1i2g9dYKENlJrDY67IqSm4

Além disso, estão em todas as redes sociais
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