BH CULT INDICA: KHADHU CAPANEMA

BH CULT INDICA: KHADHU CAPANEMA

Músico lança seu primeiro álbum autoral: Inverno Mineiro
Crédito: Vitor Maciel

Khadhu Capanema tem muitos motivos para comemorar. Há 23 anos comandando os vocais da banda Cartoon, uma das mais importantes do rock mineiro e do Brasil; e de fazer parte também de projetos como a Orquestra Mineira de Rock – formada pelas bandas Cartoon, Cálix e Somba -, Fractal Orchestra e LED III (cover do Led Zepelin), o músico lança seu primeiro disco autoral: Inverno Mineiro.

Escrito entre os anos de 2016 e 2017, o álbum é todo cantado em português e marcado por referências da música mineira com pitadas de folk inglês, mpb e rock. A sonoridade é centrada no som do violão e dos instrumentos acústicos.

Nas gravações, Khadhu contou com as participações especiais de Paulo Santos (UAKITI), Renato Savassi (Cálix), Rodrigo Garcia (Cartoon) e a Fractal Orchestra (cordas e naipe de metais), Marcelo Ricardo (bateria), Christiano Caldas (teclados), Guilherme Rancanti (violões) e os companheiros do Cartoon, Raphael Rocha e Bhydhu Capanema. Eles também estarão no show de lançamento!

Crédito: Vitor Maciel

Sortuda que sou, já ouvi o disco e posso garantir que é lindo demais. A primeira vez que ouvi o Khadhu cantando – eu nem conhecia o Cartoon direito (hoje, é uma das minhas bandas preferidas da vida!!!) -, fiquei completamente chocada. Com toda certeza é uma das vozes mais maravilhosas que já ouvi, com um jeito característico de cantar e uma amplitude vocal de impressionar qualquer um.

O álbum novo vem reforçar isso. Cada canção traz uma nova vertente do cantor  misturada com a poesia das letras, que falam sobre ter fé, sobre olhar pras coisas de uma forma positiva. As minhas músicas referidas são: Já Não Me Importo Mais (a do vídeo aí embaixo), Deixa Brilhar e Mais Claro Que O Sol. É um discão! ♥

Conversamos com o músico para saber mais sobre esse novo trabalho e todas as nuances que envolvem o Inverno Mineiro. Confira:

BHCult: Como surgiu a ideia de gravar um disco solo, depois de tanto tempo à frente do Cartoon?
Khadhu Capanema: A ideia de gravar o disco solo é bem antiga. Ao longo da carreira com o Cartoon – banda que me acompanhou desde a minha adolescência, da minha vida inteira -, acabava fazendo composições que muitas vezes não entravam no repertório por serem diferentes do estilo ou por não estar no momento certo de colocar e que acabavam ficando para trás. Fui acumulando essas músicas ao longo do tempo e pensava: ‘um dia então vou fazer um projeto no qual possa dar vazão a elas’. Só que, como o Cartoon estava sempre em algum projeto novo, tomava muito do meu tempo e nunca deu para encarar, de fato esse, desafio. Até que chegou num ponto crítico, em que se tornou uma necessidade para mim como músico me dedicar a esse lado criativo e às composições. Foi então que consegui aprovar um projeto na Lei de Incentivo para fazer o disco e aí chegou a hora disso acontecer.

BHC: Como foi o processo de composição e escolha das músicas?
Khadhu: O meu plano inicial era pegar o material de toda a minha carreira – desde quando comecei a compor na adolescência até o momento atual – percorrendo todo esse período e as músicas que não entraram no Cartoon.  Mas, em 2015, após voltar de uma turnê nos EUA, comecei a sentir um interesse muito grande por Minas Gerais, pela música feita aqui, por estar aqui na minha terra. Ter ficado lá por um mês com a banda acabou mexendo de uma forma oposta, me trazendo de volta a Minas, querendo falar das coisas daqui, e com isso escrevi uma leva de composições em português – coisa que eu não fazia desde o álbum Martelo – de 1999, primeiro disco do Cartoon-; compus uma série toda ligada a esse sentimento, da terra e das montanhas de Minas, lugares que eu frequentei.  Assim, as canções acabaram indo para um tema central que é falar das coisas de Minas e do jeito de ser mineiro sem usar muito clichê, desse meu envolvimento com esse lugar e sobre a minha esperança de ver um mundo que tenha as características que Minas tem em sua origem: povo mais tranquilo, pacifico, acolhedor. Falar disso com uma esperança de que o mundo inteiro ainda volte a poder ser dessa maneira, que a gente passe por esse inverno cultural, esse inverno no sentido simbólico que vive a cultura brasileira, que voltemos a ter essas características que o mineiro sempre exaltou.

BHC: De que forma o trabalho com o Cartoon e todos os outros projetos dos quais você participa (Orquestra Mineira de Rock, Fractal Orchestra, entre outros) influenciou no seu disco solo?
Khadhu: O trabalho com todos esses projetos musicais que já fiz e venho fazendo,  certamente influenciam muito e fazem parte do processo que me fez chegar até aqui. O Cartoon foi minha escola da vida inteira, foi onde eu aprendi tudo, me desenvolvi como compositor, produtor, arranjador. E eu pude aplicar tudo isso nesse meu disco solo. Inclusive, a experiência do último álbum do Cartoon, “V”, foi muito importante para chegar no som desse disco que estou lançando. Ele já vinha com essa proposta de ser mais folk, de ser mais acústico e eu também segui nessa linha com o meu disco autoral, que é muito baseado no violão, nas canções violão e voz. Essas canções foram vestidas por um arranjo mais sofisticados, mas continuam sendo para se tocar no violão e se cantar de forma simples, e isso veio muito do que vivemos no “V”, que tem uma importância, uma influência muito grande no que viria a ser o Inverno Mineiro.

BHC: Inverno Mineiro tem alguma mensagem? O que você quis dizer com as canções do disco?
Khadhu: Acho que a mensagem é principalmente de esperança! Eu tinha a possibilidade de falar dos problemas, de criticar os problemas, as pessoas e as coisas ou de simplesmente falar do que eu gostaria que fosse. Optei por isso. Ao invés de criticar ou falar de coisas ruins, preferi focar nas coisas boas, mesmo que elas não estejam acontecendo muito nesse momento. Pode parecer meio ingênuo ou alienado em alguns momentos, mas essa foi a minha intenção mesmo, falar das belezas e das esperanças, e do que acredito que está fazendo falta no mundo nesse momento.

BHC: E porque você escolheu o nome Inverno Mineiro?
Khadhu: O nome veio por vários motivos. O mais obvio é porque também é o nome de uma das canções do disco. Estava passeando com a minha família na fazenda Serra Verde e tive a ideia dessa música. Quando comecei a cantarolar, já veio a letra inteira, falando das características do inverno, como o céu super azul, o tempo frio mas com sol quente, dias bonitos…  A maioria das músicas do álbum, se não todas, foram compostas no inverno, em 2015 e 2016. O disco também foi gravado e mixado no inverno de 2018. Há uma relação forte com essa época, que tem seu charme. E também no sentido simbólico do inverno como algo difícil. No passado se falava muito do “longo e tenebroso inverno”, um período que se produzia menos, uma época difícil, assim como o momento que estamos vivendo agora, de falta de esperança, falta de valorização da cultura, de coisas básicas do ser humano. Assim, apresento esse inverno já pensando numa solução, vendo ele de uma forma positiva.

Conheça uma das faixas do álbum: Já Não Me Importo Mais

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