ASSISTIMOS “IT: CHAPTER II”! O FILME ESTREOU DIA 5

ASSISTIMOS “IT: CHAPTER II”! O FILME ESTREOU DIA 5

Por Thiago Prata, repórter especial

Quando chegou às telonas em 2017, a primeira parte de “It” – adaptada do homônimo livro de 1986, escrito pelo norte-americano Stephen King, e que já havia ganhado uma morna versão audiovisual em 1990 –, apresentava uma veste dos anos 80, com personagens cativantes, trama bem executada, uma interessante linha (ou linhas) reflexiva e elementos que transcendiam o gênero terror (há ali drama, suspense, ficção e flertes com outras vertentes), tornou-se um dos principais filmes do estilo daquele ano – embora alguns passos atrás de obras do calibre de “Corra!”, por exemplo.

A segunda parte estreia na quinta-feira (5) nas salas brasileiras, com a difícil missão de manter o nível de sua primeira “metade” e encerrar, de forma digna, a franquia dirigida por Andy Muschietti. O resultado final é satisfatório, mas fica aquela sensação de que “faltou algo mais”.

“It: Chapter Two” não tem a mesma “magia” de seu antecessor, mas nem por isso é um filme abaixo da média: é bom, deve agradar uma grande parcela de fãs, mas, notoriamente, merecia uma melhor lapidação em seu conteúdo. O medo inerente e impregnado nas personalidades das crianças na primeira parte, é mantido ou ampliado em “Chapter Two” (ponto positivo, incluindo aqui uma corrente psicanalista).

Não, não estamos falando apenas do medo do “palhaço” Pennywise, que retorna 27 anos depois à cidade de Derry para provocar caos e mortes novamente. O medo, sob os mais distintos vieses psicológicos, move a narrativa do início ao fim, e é sobre ele que mais se reflete ao longo da película. Ali você vai testemunhar, latente ou de modo evidente, o medo contra monstros que vão além de Pennywise: criaturas como o machismo, a homofobia, o racismo, o bullying, os maus tratos infantis e tantos outros que não estão presentes somente na ficção. Ou mesmo medos como a falta de confiança e as dúvidas quanto às próprias capacidades.

Existe uma similaridade na narrativa e na forma de apresentar os medos em relação à “Parte I”: os amigos se reúnem, agora adultos (assim como vão conhecendo uns aos outros ou fortalecendo seus laços no primeiro filme), voltam a Derry (apenas Mike, vivido por Isaiah Mustafa, permanecia na cidade após os incidentes de quase três décadas atrás). Cada um vive sua própria narrativa no meio do filme (sim, abre-se para uma narrativa polifônica, de certa forma; algo que também acontece no filme I), e, no fim, vem a maior parte das cenas de ação (se há final feliz ou não, você mesmo é quem vai dizer). Essa fórmula, previsível, até funciona em alguns casos. Mas algumas coisas podem incomodar o expectador.

Uma delas é o fato de, mesmo com quase três horas de duração (2h50), algumas relações entres as personagens, agora adultos, serem um tanto quanto vazias, mesmo que o uso de flashbacks – em que mostram cenas com os atores mirins dando um show de carisma e atuação –, que, teoricamente, deveria enriquecer na construção dessas relações. Alguns diálogos não tão fortes, e a falta de química entre alguns atores também não ajuda. Exemplo: a relação envolvendo Ben Hanscom (Jay Ryan) e Beverly Marsh (Jessica Michelle Chastain) deveria ser um dos pontos altos, mas não é tão bem trabalhada. Parece haver uma pressa para acabar o filme em vez de dar um “up” nessa questão (mas o filme não tem quase três horas?).

Existe um ponto interessante que é o “problema” de Bill (James McAvoy), constantemente explorado na tela. Escritor e roteirista, ele sofre com as críticas de pessoas (incluindo sua esposa): suas obras tendem a ser boas, mas com desfechos ruins. E isso surge quase como uma metalinguagem (pelo menos, assim o vi), pois é grande a expectativa de se ter um final digno na trama de “It”. E aí cabe a cada expectador avaliar se Andy Muschietti e o roteirista Gary Dauberman cumpriram bem essa função.

Quanto ao terror ao redor de Pennywise e outras personagens, aí está outro “incômodo”. Isso porque não vai demorar muito para você capturar os “segredos” da construção das cenas dos sustos. A forma estrutural até chegar à cena que deveria assustar o expectador é simples e clichê, seguindo um mesmo padrão: dá para sacar quando virá uma imagem “assustadora”, e aí dificilmente você levará um susto – ou pelo menos estará preparado para tal.

Aliás, particularmente, e isso não é regra, me decepciono com cenas que assustam com um som mais alto que o normal, um efeito sonoro proposital, sem contexto talvez, em vez de investir em cenas que poderiam chocar mais pela imagem ou pela junção imagem e som. No caso de “It”, acontece de tudo um pouco, com clichês que pouco funcionam. A cena mais brutal e assustadora é uma que está presente logo no início do filme, articulada por humanos, e não por Pennywise.

No geral, há pontos positivos, uma nostalgia, muitas reflexões e um certo drama no ar, com uma boa média de atuações. Fica a ressalva de previsibilidades e construções do medo aquém do esperado. Em suma: nota 7,5.

Para saber os horários e salas da Cineart onde o filme será exibido, clique aqui.

Assista ao trailer:

Categorias
ETC...
Comente pelo Facebook

RELACIONADOS POR