ARTE URBANA TRANSFORMA BH E MUDA OLHAR SOBRE A CIDADE

ARTE URBANA TRANSFORMA BH E MUDA OLHAR SOBRE A CIDADE

Projetos incentivam as intervenções em locais públicos, valorizando artistas
Divulgação

Parte 1*

 

A partir de hoje o BH Cult vai começar uma sessão especial sobre a arte urbana em BH. Vamos entrevistar os principais artistas e falar dos movimentos que tem ajudado a cidade a ficar cada vez mais linda. A primeira parte você confere agora:

Nos últimos anos, as ruas de BH têm ganhado um novo frescor com as manifestações de arte urbana, intervenções, performances artísticas, grafite, entre outras belezuras.

Muitos projetos tem incentivado essa prática e ganhado a admiração de milhares de pessoas que agora, podem contemplar o novo horizonte da cidade.

É a arte urbana, que representa o encontro da vida com a arte, ou melhor, a fusão das duas coisas. Expressão artística que teria surgido nos Estados Unidos, na década de 70.

Um dos projetos que iniciou esse movimento em BH foi o Cura, que surgiu do sonho de três amigas – Janaína Macruz, Juliana Flores e Priscila Amoni – de criar um festival de pintura de empenas (ou frontão dos prédios) que ajudasse a colocar a capital no mapa mundial da street art.

Assim, em julho de 2017, elas promoveram a 1a edição do Festival Cura, que contou com a pintura em quatro prédios e dois muros – um localizado na rua Sapucaí e outro dentro da Estação Central do Metrô. Contemplou, também, um mirante na Sapucaí, de onde se conseguiria ver todas as pinturas de uma só vez.

“Seguimos apenas uma regra: a empena ser vista da rua Sapucaí, o 1o mirante de arte urbana do mundo. Aí vamos até o local, entramos em contato com o prédio e iniciamos o processo de autorização junto dele e do Conselho de Patrimônio do Município”, explica Juliana Flores.

O grande diferencial do Cura, segundo ela, é o trabalho de ressignificação de um espaço inútil, tratando esse espaço com telas a espera de uma pintura artística. “Também penso que, com a ideia do mirante de arte urbana, estamos transformando um horizonte inteiro, além é claro de nos fazer olhar pro centro de BH de um novo jeito”.

“Percebemos também que o Cura tem exercido um papel importante ao fomentar a cena de arte urbana local e promover os artistas da cidade”, completa.

Juliana acredita que ver a cidade de uma forma diferente muda a relação das pessoas com ela. “Quando nos transformamos, nossas relações se modificam e o mesmo acontece com a cidade”.

No Festival, o tema da pintura é livre, cada artista escolhe o que quer desenhar. “O Cura pensa na diversidade estética, de técnicas, estilos, mas deixamos sempre o artista criar o seu layout de forma livre, sendo orientado por nós, caso ele queira”, explica Juliana.

O Cura realizou uma edição especial em homenagem aos 120 anos de Belo Horizonte, pintando mais dois prédios. Na última edição, em novembro de 2018, foram mais quatro empenas e um muro.

Os murais pintados tem entre 450 e 1.780 metros quadrados, sendo um deles o mais alto pintado por uma mulher na América Latina, com 56 metros de altura. Além das pinturas, o festival promove mesas de debates, feiras de arte, festas e ações especiais sempre dialogando com a arte urbana e a cultura de rua.

Já participaram do Festival os artistas: Acidum Project, duo formado pelos artistas cearenses Tereza Dequinta e Robézio Marqs (Edifício Rio Tapajós); Comum (Edifício Satélite); Criola (Edifício Chiquito Lopes); Davi de Melo Santos – DMS (Edifício Príncipe de Gales); Empena de letras – 21 artistas deixaram seu nome na fachada cega do edifício Satélite. São eles: Bess, Carimbo, Diva, Dninja, Error, Fhero, Figo, Goma, Hisne, Kid, Mts, Musa, Naice, Nica, Okay, Pimenta, Sake, Sink, Surto, Tina e Tita (Edifício Satélite); Hyuro (Amazonas Palace Hotel); Marina Capdevila (Edifício Trianon); Milu Correch (Edifício Garagem São José); Pricila Amoni (Hotel Rio Jordão) e Thiago Mazza (Edifício Satélite).

Crédito: Divulgação

CONHEÇA OUTRAS INICIATIVAS QUE TAMBÉM MUDARAM A CARA CA CIDADE:

XAVANTES
Um mural criado pelo grafiteiro Fhero está instalado em toda superfície do edifício do Shopping Xavantes. O artista fez uma pintura abstrata geométrica de cores fortes que remetem aos diversos povos que formam o Brasil.

Duas imagens foram criadas: do lado maior, na Av. Oiapoque, vê-se dois pardais, pássaros comuns das cidades. Do outro, na rua Curitiba, Fhero pintou alguém que representasse a diversidade dos grandes centros urbanos e do público do Xavantes: sua esposa e também grafiteira Nica, uma homenagem às mulheres da capital.

Fhero é de São Paulo, mas está em BH há 10 anos, onde construiu a sua trajetória como artista.

Crédito: Divulgação

MINEIRÃO
Uma parceria entre o Gigante da Pampulha e o Museu de Rua – coletivo de artistas -, está mudando a cara dos 400 m² do paredão na Esplanada Sul.

O projeto faz parte do “Esplana – Movimento de Arte e Cultura”, e foi realizado num evento com obras de 43 artistas, food trucks, shows, DJs e feira de artesanato no estádio.

A previsão é de que a pintura dure seis meses.

Crédito: Agência i7/Mineirão

QUADRA DA COROA
A Quadra da Coroa, no Barreiro, polo do basquete amador de BH, também recebeu uma pintura especial em um evento marcando a entrega da reforma feita pela Budweiser.

O evento contou com apresentações da dupla de rap psicodélico, Hot & Oreia, e da Dj Paloma, representando a presença feminina do rap nacional. Os shows contaram com a participação de MC’s do Família de Rua, Grupo Favelinha Dance, liderado por Kadu dos Anjos.

Um dos pontos altos da iniciativa foi o grafite com referências do basquete feito em toda a quadra.

Crédito: Rudah Freire

Contiua…*

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