1/3 DA VENDA DE MÚSICA EM 2019 FOI COM DISCOS DE VINIL

1/3 DA VENDA DE MÚSICA EM 2019 FOI COM DISCOS DE VINIL

Relatório mostra uma tendência mundial pelo aumento da procura dos bolachões

Fui criada rodeada de muita música! Minha família toda canta e toca instrumentos, mas também gostávamos de nos reunir pra ouvir um disco tocado na vitrola. Até hoje, a coleção de discos do meu pai é de fazer inveja em qualquer um, é uma cultura que persiste ao tempo.

Tanto que as vendas desse tipo de álbum voltaram a crescer mundo afora. Mesmo engolidos pela tecnologia dos CDs e depois do streamming, os vinis continuam sendo símbolo máximo de diversão e preciosismo.

Por esse motivo, talvez, as vendas cresceram consideravelmente nos últimos anos. Os números são do relatório divulgado pela Recording Industry Association of America’s (RIAA), que mostrou que ⅓ da venda de artigos físicos é relativa aos vinis.

No primeiro semestre de 2019, as vendas das famosas bolachas renderam US$ 224,1 milhões (em 8,6 milhões de unidades). A receita cresceu 12,8% na segunda metade de 2018 e 12,9% na primeira de 2019, enquanto a de CDs quase não se modificou.

O grande lance, na minha opinião, é que o vinil tem um vibe saudosista, de colecionador, de memória afetiva mesmo. Você compra um disco e tem uma experiência completamente diferente ao ouvi-lo do que quando coloca um CD pra tocar ou aperta o play no Spotify, por exemplo.

Isso, tecnologia nenhuma vai poder substituir! O ritual de tirar o disco da capa, escolher o lado que vai ouvir, colocá-lo no som, botar a agulha no disco pra rodar, isso tudo é um “acontecimento” sem igual.

Marcos Tadeu

“Herdei uma vitrolinha Phillipis de um dos meus tios quando tinha 8, 9 anos e ficava o dia todo escutando vinil sentado ao lado das caixinhas de som. Tinha um outro tio que era jornalista e recebia muito material promocional de bandas, e eu ficava o dia todo olhando as capas, tentava traduzir as letras que eram em inglês e virou uma grande paixão, que trago comigo até hoje”, conta o jornalista e apresentador do programa Rock Cabeça da Rádio Inconfidência, Marcos Tadeu.

Para ele, é exatamente o ritual que o disco proporciona que faz com que ainda seja um sucesso. “Você tem o vinil como um ente na sua casa, é um objeto de desejo, como se fosse uma escultura, uma obra de arte, é quase um objeto de fetiche. Você pegar a agulha, colocar na vitrola, escutar, ver a capa, sentar no sofá pra degustar aquela obra de arte… Isso é insuperável!”.

Edu Pampani

“Acredito que os discos de vinil ainda seduzem tanto porque vivemos numa era digital completamente fria, armazenada em pequenos espaços virtuais. Os vinis são produtos originais que agregam música e arte e que podem ser admirados pela sua parte gráfica, assim como também pela riqueza musical que saem dos seus sulcos. É a antítese do que vivenciamos hoje em relação ao que a maioria das pessoas têm com a música, por isso o encantamento. Um produto que transita entre passado, presente e o futuro das pessoas, simplesmente atemporal…”, explica Edu Pampani, diretor da Discoteca Pública, que desde 2005 é conhecida como o maior espaço dedicado à cultura do vinil no estado de Minas Gerais.

Para Edu, o vinil é único. “O cheiro, o peso, a estética, o lado A e o Lado B, as capas de tamanho 30cm x 30cm, o charme. Nada se compara com o som do LP”.

Rodrigo James

Outro que se diz um entusiasta é o jornalista Rodrigo James, do programa Esquema Novo. “Sempre ouvi e desde que voltou só consumo vinil. Não me lembro mais como é pegar um CD pra ouvir e com o vinil faço isso o tempo todo”, diz.

Segundo James, a volta do vinil tem dois lados. “Um porque chega a ser um fetiche, é muito bom você pegar, manusear o vinil. Quem já fazia isso, recuperou o gosto e quem não fazia viu que é legal demais. Tem ainda a questão da qualidade sonora: o vinil hoje definitivamente é muito melhor que o produzido nas décadas passadas. Os fabricantes se especializaram em fazer com uma fidelidade sonora muito maior”.

Esse retorno do vinil causou um grande boom para alguns artistas, especialmente para os grupos de rock. Os Beatles, por exemplo, venderam mais de 300 mil discos em 2018.

Mas, mesmo com um aumento considerável, eles representam apenas 4% da renda total do primeiro trimestre de 2019. O streaming é o grande campeão da indústria musical: as assinaturas pagas deste tipo de serviço geraram 62% das vendas.

“Um ponto negativo é o preço. Um vinil de 180g é caro demais, um disco novo, recém lançado custa uma média de U$25. Claro que existe um outro lado onde estão os sebos em que você pode garimpar e encontrar discos do passado a preços baixos. Mas os novos são muito caros e, por isso, restringe o hábito a quem tem dinheiro. Não é mais popular como quando foi lançado”, argumenta Rodrigo James.

Feira

A Discoteca Pública realiza, desde 2007, a Feira do Vinil no segundo sábado do mês. “No início, não tínhamos demanda para fazer todo mês. Mas com a reabertura da Polysom do Brasil, que na época era a única fábrica de vinil no país começou a se falar mais sobre o assunto. Vários artistas/bandas começaram a prensar seus discos, depois disso não parou mais e as vendas só aumentaram, a procura pelos discos de vinil hoje é bem maior do que a procura pelos CDs, que depois de trinta e poucos anos perdeu o seu reinado, muito por conta também da música digital”, comenta Edu Pampani.

“Quem passa pela Feira tem o prazer de trocar informações, papos sobre música, valiosas dicas onde encontrar equipamentos, discos importados, agulhas, todos estão lá para isso, repassar todas as informações possíveis e necessárias”, completa.


Ranking

Conheça os álbuns mais vendidos em 2018
1. Soundtrack, Guardians of the Galaxy: Awesome Mix Vol. 1 (84 mil cópias)
2. Michael Jackson, Thriller (84 mil cópias)
3. Fleetwood Mac, Rumours (77 mil cópias)
4. The Beatles, Abbey Road (76 mil cópias)
5. Prince and the Revolution, Purple Rain (71 mil cópias)

Agora,  os artistas que mais venderam discos em 2018
1. Beatles (321 mil cópias)
2. Pink Floyd (177 mil cópias)
3. David Bowie (150 mil cópias)

No Brasil, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), os mais vendidos da história são:
1° Músicas Para Louvar o Senhor – Padre Marcelo Rossi, 3.328.468
2° Xou da Xuxa 3 – Xuxa, 3.216.000
3° Leandro & Leonardo – Leandro & Leonardo, 3.145.814

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Discoteca Pública
Endereço: Rua Hermílio Alves, 134 – Santa Tereza – Belo Horizonte – MG
Telefone: (31) 2514-5710
E-mail:  discotecapublica@discotecapublica.com.br
Funcionamento: segunda a sexta – 10h às 19h; sábado – 10h às 14h
Site: www.discotecapublica.com.br

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